quarta-feira, 14 de julho de 2010

Eu sou da minha amada, e ela é minha



Regina, minha amada esposa . Hoje no seu aniversário quero repetir meus votos de te amar e zelar por ti, a cada dia, a cada momento de minha vida. De um inicio já distante com trocas de juras de amor eterno, logo passamos às delicias de uma vida conjugal abundante, coroada com o nascimento dos filhos, e agora já na fase bem-aventurada de avós. E o amor continua a alimentar uma vida conjugal harmoniosa e extensa, graças a Deus, a ponto de poder hoje parafrasear o sábio, para reafirmar-lhe que “Amo-te hoje mais do que ontem, e menos do que amanhã”.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

MEU TIO


Recebi a noticia do falecimento de Tio Mitre. Era o caçula de uma grande família de muitos filhos, dos quais, já lhe antecederam neste caminho, Wanda (minha saudosa mãe), e os tios Washington,Cleide, Aquiles e Odete. É sempre um motivo de tristeza, e também uma oportunidade de parar para meditar na gravidade e brevidade da vida... sem palavras, e sem as limitações da razão, só com a profundeza dos afetos do coração. Do Tio, fica também a memória de tempos alegres e divertidos, vendo-o em meio a uma batucada, na companhia de amigos, festejando de forma bem mais provinciana o carnaval. Lembro ainda do orgulho pelos seus projetos como arquiteto da Prefeitura do Recife, compenetrado da missão em que se via investido, de tratar com competência e seriedade os planos de urbanização da velha cidade. Finalmente, de sua luta privada por assegurar uma vida digna à família, no que foi um vencedor; certamente que uma vitória discreta, sem o “glamour” dos holofotes, sempre apontados para as celebridades com seu brilho fugaz, e de maneira equivocada. De uma forma geral, todos sabemos, mais ou menos, o que é morrer, mas não o que é um parente próximo morrer, muito menos podemos especular sobre nossa “hora”. O sábio Miguel de Unamuno proclamava que “saber-nos mortais como espécie e não querer morrer como pessoas é justamente o que individualiza cada um de nós”. É justamente esta individualidade do Tio que fica preservada, nunca antes, nem depois teve um igual! E, como cristão remanesce a consolação na esperança da vida eterna, quando finalmente poder-se-á contemplar a maravilhosa história, sem fim, da vida humana, em que cada um, foi concebido de forma singular, com muito Amor! Com saudades

sexta-feira, 25 de junho de 2010

SEM FAZER NADA...!


Com status de aposentado, há cerca de um ano, tenho porém uma vida muito cheia e ocupada desde então, e eventualmente me perguntam "o que estou fazendo?" E a resposta sincera é "nada..." Neste “nada” passo, um bom tempo absorvido com as rotinas do dia a dia, realizadas de forma quase automáticas, que incluem as provisões domésticas, exercícios físicos diários, e lazer variado; outro tempo consumido na comunicação, com destaque para as relações familiares, e no circulo mais amplo das amizades, com a intermediação cada vez mais presente da internet; e, um tempo dedicada a boas leituras e estudos voluntários, ocasionalmente compartilhados em círculos afins de Igreja, etc. Além destas atividades, merece destaque, um novo tempo, para ficar sem fazer nada; são momentos de quietude e solidão, sem qualquer ação, enquanto necessidade de fazer alguma coisa, e sem mesmo ter que decidir fazer alguma coisa. Não é contudo um “pit stop”, carregado de tensão e ansiedade, na preparação para fazer alguma coisa em seguida; tampouco uma hora de buscar deliberada auto-conscientização. Mas antes, é uma entrega prazerosa, sem qualquer esforço físico ou mental, numa espécie de momento “zen”, se isto significa absoluta inatividade e mesmo ausência de desejo de realizar qualquer atividade.Possivelmente todos estes tempos sejam tachados de “improdutivos” para todos os fins práticos ; de acumulação de riqueza nem se fala! Numa caracterização limitada é um tempo para receber, escutar, sentir, tudo sem nada fazer, sem processamento interior. É deixar-se levar, como na metáfora de “Fernão Capelo Gaivota”! Assim ficam silenciadas todas as vozes que pressionam a alma, tornando-a inquieta, em sua ânsia controladora/protetora; uma parada necessária em meio a tanto afazer? eis uma questão! Fica a dúvida se este não é também um estado de receptividade adequado, na ausência de quaisquer constrangimentos, para ouvir sem ruído a voz de Deus?

quarta-feira, 16 de junho de 2010

ANIVERSÁRIO, UMA BREVE HISTÓRIA


Alguns dos títulos de grande sucesso nas livrarias, na atualidade, são “Breves histórias de ...”, em que são abreviados e sumarizados acontecimentos marcantes ao longo de algum período histórico. Com maior sucesso, na vida de cada pai, avô, bisavô, está a “grande história” de um filho, neto, bisneto. História singular, ainda que igualzinha do ponto de vista de quem vê de fora, comum, mas não repetitiva: começa com o primeiro e marcante choro – no que é acompanhado pelos mais velhos emocionados - seguido de muitos outros, alternados com sorrisos cativantes, matreiros! E assim, sucedem-se as comemorações dos aniversários, e com elas, as festas e os presentes, pálidas lembranças do presente maior de uma vida que se desenvolve. Nesta comemoração da vida, as razões perdem espaço para a admiração, sem palavras, só alegria! Remanesce a gratidão a Deus , e a renovação do pedido de proteção pelo novo ano de vida. E, novamente nosso choro, doravante solitário, expressão de inaudita alegria, de mais um vô e pai amoroso, nos aniversários, hoje de uma neta, e amanhã de uma filha, bênçãos de Deus! e para sempre muito amadas. Curitiba, em 16 de junho de 2010.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

RELACIONAMENTOS INTERPESSOAIS: ALEGRIAS, CONFLITOS E MÁGOAS


Fortalecer os relacionamentos é positivamente, aumentar uma fonte de alegrias incomparáveis, de satisfação de necessidades fundamentais, como ser querido, bem cuidado e atendido; e, enseja a sociabilidade, que é a propensão para viver junto com os outros, e comunicar-se com eles, torná-los participantes das nossas próprias experiências e desejos, conviver enfim com eles as mesmas visões. Temos mesmo fome por relacionamentos: “é como se nós tivéssemos sido feitos para encontrar nosso propósito e significado não simplesmente em nossas vidas interiores, mas no outro, e nos significados e propósitos compartilhados”.
Mas, juntamente com a alegria, num relacionamento é comum ocorrerem conflitos. Gosto de uma alegoria que compara o conflito com o atrito que existe entre as engrenagens de um motor; há uma solução bem simples para removê-lo: basta que o motor seja desmontado e que cada peça seja guardada separadamente. O conflito estará resolvido, mas o motor já não existirá, nem as suas inúmeras utilidades. Não haverá choques, nem desgastes. Também não haverá movimento nem produção de energia. Temos então uma solução inútil. Assim como um motor não vai funcionar sem atritos das engrenagens, também os conflitos interpessoais não podem ser inteiramente eliminados dos relacionamentos”. O que podemos fazer para reduzir esse atrito é minimizar seus efeitos negativos; como? lubrificando o motor (vide exemplos de lubrificantes ao final). Para um cristão, na Biblia, o óleo é um símbolo do Espírito Santo, e precisamos dessa unção em nossos relacionamentos.
Um produto de um conflito não resolvido, são as mágoas. Fred Luskin, em seu livro, “O poder do perdão”, emprega a metáfora do painel de controle de tráfego aéreo :”Imagine uma tela de radar abarrotada à frente de um controlador de vôo estressado. Visualize o caos e a confusão de aviões na tela. Agora imagine que suas mágoas não resolvidas são os aviões visualizados na tela, voando em círculos há dias e semanas sem fim. A maioria dos outros aviões já pousaram, mas suas mágoas não-resolvidas continuam a ocupar um precioso espaço aéreo, exaurindo os recursos necessários em caso de emergência. A presença dos aviões na tela o obriga a trabalhar com mais intensidade e aumenta as chances de acidente. Os aviões da mágoa se tornam uma fonte de estresse e o resultado é, muitas vezes, um apagão. Como é que os aviões chegaram lá? você assumiu algo em termos muito pessoais; você continuou a culpar a pessoa que o fez sofrer pelo fato de se sentir mal; você criou uma história sobre a mágoa. As mágoas são os aviões que não pousarão. Eles enchem por inteiro sua tela, ocupam sua mente e, em especial, dificultam que você aprecie as coisas da sua vida que são maravilhosas. A perda da beleza em nossas vidas é o dano imprevisto que a mágoa pode acarretar.” Os psicólogos nos ensinam ainda que um conflito mal resolvido poderá deixar marcas indeléveis, que podem se transformar até em enfermidades. Devemos então considerar o conflito como uma coisa natural num relacionamento, pois somos seres dinâmicos, com motivações diferenciadas, vivenciando emoções mutáveis a cada situação, e trazemos no inconsciente experiências muito pessoais para serem uniformizadas. Se não podem ser evitados, os conflitos podem, entretanto, serem administrados.
Retomando a alegoria do atrito em uma engrenagem, alguns lubrificantes disponíveis são as expressões de sabedoria seguintes:
. nós não podemos controlar e mudar outras pessoas; no entanto, podemos modificar a nossa forma de agir em uma situação de conflito;
. em todo conflito cada envolvido tem uma parte de verdade: há uma parte no conflito que eu experimentei que é verdadeira para mim, mas também o outro tem sua perspectiva de como ele experimentou o conflito e ela também é verdadeira para ele, afinal, cada pessoa é um universo particular, e carrega em si um mundo de vivências pessoais intransferíveis.
· nossa disposição para escutar, atenciosamente, a outra parte, reduz substancialmente, quando não previne o atrito;
· nossas discussões podem ser pautadas pelo respeito. Palavras mansas e sadias podem desarmar o ânimo agressivo da outra parte. Podemos expor nossas opiniões, por mais divergentes que sejam, sem usar de agressividade.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

CAMINHANDO E ESCUTANDO



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"Caminhando e cantando, e seguindo a canção, somos todos iguais, braços dados ou não ...” Esta é uma das canções, que gosto de escutar no mp3, enquanto caminho diariamente no Parque Barigüi. Parafraseando o poeta, agora estou também “caminhando e escutando, e seguindo em oração”. É que gravei no mp3 e passei a escutar também a BIBLIA falada.
Tenho que confessar que ainda tenho certa dificuldade em concentrar-me na leitura da Palavra, com a mesma intensidade da leitura de um bom livro, obviamente por limitação pessoal. Por que não corrigir este defeito, ponderando que “A Fé vem pelo OUVIR”?.
Verifico então que existem até versões com trilha sonora e efeitos especiais, que certamente dão um sabor especial à Palavra, que deve antes ser viva, em contraposição à “letra que mata”. Talvez esta forma de ouvir a Biblia, corrija a deformação de uma leitura incipiente, apressada, rotineira, e sem imaginação, contaminada pelos preconceitos de inumeráveis exposições sem a graça que só o Espírito pode conferir. Quem sabe?
Oro para que o Espírito me inspire neste propósito, dando-me a mesma alegria que vejo, e, até invejo, em alguns cristãos.

sábado, 1 de maio de 2010

APRENDENDO A VIVER EM MAIOR PROFUNDIDADE

Somos movidos primariamente para atender nossas necessidades, desde as mais básicas de alimentação, saúde, habitação, às culturais de lazer e educação, até àquelas que se enquadram na categoria de aquisição de bens supérfluos. A vida, assim, pode ser resumida num aglomerado de necessidades. Agimos para atender as necessidades que condicionam nossa existência. As necessidades da vida determinam os objetivos que o homem escolhe pelo planejamento e ação. Especificamente denota a ausência ou carência de algo indispensável ao bem-estar de uma pessoa, evocando o desejo urgente de satisfação. Necessidades podem mesmo se tornar nossos deuses.
Satisfeitas estas necessidades, reais ou artificialmente infladas e apropriadas, vivemos então “divididos entre pensamentos, desejos, negócios, paixões, distrações, deveres,afeições”. Nas palavras de Josep Catalón (Guia da Vida Interior) “Não somos um. Estamos divididos. Nosso interior é como um rio em que coexistem correntes, redemoinhos e remansos, independentes entre si e, ao mesmo tempo, interrelacionados. O Eu não é um ser unitário, mas um ser integrado por uma multiplicidade de tendências. Convivem em nós diversas motivações, intenções e propósitos que correspondem a raízes genéticas, à educação, a modelos internalizados, à pressão social. Sobrevivemos no equilíbrio instável de inclinações contraditórias. Um ser disperso que luta por interesses conflitantes.”
Numa escala mais consistente de prioridades, alguns vivem correndo atrás de uma meta, como por exemplo alcançar um determinado patamar de riqueza, de status e poder no seio da sociedade, e, no extremo oposto aqueles que elegem uma meta altruísta, de ajuda ao próximo, tendo como paradigmas os santos. Finalmente, o reconhecimento dos limites das realizações e a consciência da morte combinam para levantar questões sobre o significado e o propósito do tempo que ainda nos resta. Neste sentido listamos abaixo três insights preciosos, que estamos tentando por em prática, pelo menos por alguns minutos diários:BUSCANDO UM TEMPO DE SER. “Chamamos tempo de ser a um espaço de tempo dedicado a dar-me conta de que sou, de que existo, de que vivo aqui e agora, em meios às circunstâncias concretas. Trata-se pois de um despertar a mim mesmo, e procura ser consciente do que estou vivendo neste momento presente. Estou disperso, distraído, em outra coisa e em outro momento do aqui e agora. Não estou onde estou. Por isso tenho de aprender a estar onde estou com todo meu ser. Todo o sentido de nossa vida parece que o recebemos da quantidade trabalho que realizamos. Não encontramos tempo para viver, e isto é o que se busca com o tempo de ser: viver mais plenamente. Não se trata de ser como oposto a fazer, a trabalhar, a pensar, a conviver, a comprometer-me e se trata de estar onde estou, de estar presente em cada momento, em cada situação todo eu, com todo meu corpo, com todos meus sentidos, com toda minha mente, com todo meu coração, com todo meu ser. E estar totalmente atento e consciente da situação real que tenho diante, que tenho neste momento”. (“Vida y Contemplación”, de Manuel Marquez)
DANDO ATENÇÃO À VOZ INTERIOR DA ALMA. Poderemos ouvir a voz de nossa alma se moderarmos as atividades e prestarmos atenção nela. Para alguns de nós isso pode se dar por meio de um diário, caminhadas, expressões artísticas, e ambientes silenciosos. Sabemos que encontramos a forma particular que se adapta a nós quando tudo para, exceto a alma. Ficar atentos a nossa vida interior é uma habilidade que pode ser aprendida: o que eu me encontro pensando e como estou me sentindo hoje? Reservar um tempo e adquirir o hábito de prestar atenção ao que estamos pensando e sentindo”. ( “A alma e o self”, de Paul Fehrenbach)
PRATICANDO A PRESENÇA DE DEUS
“Reconheço que Deus está sempre intimamente presente em mim e lhe dedico todos os momentos ;
Tudo que faço, procuro fazê-lo muito bem feito, como para Deus mesmo;
Se tiver alguma dúvida peço Sua assistência para saber qual a Sua vontade;
Ofereço todas as coisas a Ele antes mesmo de realizá-las e agradeço quando tiver terminado;
Nas coisas que sinto que Ele está solicitando de mim, busco ter um desempenho perfeito;
Realizo os trabalhos mais banais sem visar o reconhecimento interesseiro dos homens, e, quanto mais longe eu sou capaz de chegar, eu o faço, puramente por amor a Ele;
Busco me acostumar a manter uma conversação contínua com Ele. Em minha conversação com Deus devo mostrar que tudo o que faço é com a intenção de louvá-lo, amá-lo incessantemente, por Sua infinita bondade e perfeição;
Minhas orações não representam momentos isolados de comunhão com Deus, mas são o reconhecimento da presença de Deus;
Renuncio sinceramente todas as coisas sobre as quais tenho consciência de que não estão sendo conduzidas por Deus.” (Irmão Lawrence, que aos 55 anos tornou-se um irmão leigo na comunidade dos Carmelitas, em meio às panelas da cozinha de um Hospital, de onde até líderes da Igreja o procuravam para pedir conselho e ajuda)