domingo, 12 de fevereiro de 2012

A SABEDORIA DE ESCUTAR


A importância de escutar está implícita na metáfora desenvolvida e imortalizada pelo rabino Martim Buber, ao abordar a questão do relacionamento entre as pessoas. Segundo o mesmo, existe uma forma de encontro de pessoas vivas, se relacionando de modo a se conhecerem mutuamente; ambas se deixam influenciar através do dialogo, isto é pelo falar e escutar. A este tipo de relacionamento ele chama de Eu-Tu, para distinguir de um outro, mais próprio do relacionamento com um objeto, que por isso mesmo chama de Eu-Isso. Neste, a pessoa pode manipular o objeto. Ocorre que muitas vezes, tratamos as pessoas também desta forma objetivante, furtando-se ao encontro com o outro, eximindo-se portanto de escutá-la. Certamente que não se refere aqui a submeter-se à loquacidade daquele que só quer ter um ouvido à disposição, mas antes diz respeito ao anseio mais profundo das pessoas, em compartilhar aquilo que lhe é mais significativo. Ainda, segundo Buber, o mesmo se aplica ao nosso relacionamento com Deus.

O escutar permite-nos aprender com os outros, e inclusive, num efeito de sinergia, o conhecimento compartilhado pode ser mais do que a soma de conhecimentos de seus participantes. O escutar pode ser um serviço. O teólogo cristão Dietrich Bonhoeffer, destaca que “escutar é o primeiro serviço numa comunidade de fé. Portanto, é realizar a obra de Deus no irmão, quando aprendemos a ouvi-lo... Também existe a maneira de escutar a meio ouvido. A pessoa pensa que já sabe antecipadamente o que o outro tem a dizer. Isso é ouvir impaciente, desatencioso, que despreza o irmão... O sucesso de muitos psicólogos em nossos dias consiste exatamente na habilidade desenvolvida para escutar com seriedade, e saber que, muitas vezes, esta é a melhor maneira de ajudar alguém”.

Deus nos escuta. O mesmo teólogo destaca ainda que “é prova de amor de Deus para conosco que não apenas nos dá a sua Palavra, mas também nos empresta o seu ouvido“, fato este que a Biblia registra abundantemente.

Podemos também escutar Deus. O consagrado autor cristão Dallas Willard, em seu sugestivo livro “Ouvindo Deus”, registra que, dentre as muitas formas de ouvir Deus falar, uma das mais comuns é relatada na Biblia, numa conversa de Deus com seu profeta Elias:”Disse-lhe Deus: Sai e põe-te neste monte perante o SENHOR. Eis que passava o SENHOR; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do SENHOR, porém o SENHOR não estava no vento; depois do vento, um terremoto, mas o SENHOR não estava no terremoto;depois do terremoto, um fogo, mas o SENHOR não estava no fogo; e, depois do fogo, um cicio tranqüilo e suave”. É na forma de um cicio tranqüilo e suave – ou a voz interior ou interna, como também é chamada – que Deus costuma dirigir-se de forma individual aos que caminham com Ele em um relacionamento maduro e pessoal. É importante ter sempre em mente que a pessoa pode não ter consciência de estar ouvindo a voz, pois esta não precisa se estabelecer nos pensamentos. E também não é pré-requisito, para ouvir a voz, ter conhecimento de teorias ou doutrinas sobre ela. É ainda a que mais envolve as faculdades dos seres livres e inteligentes que se envolvem na obra de Deus, como seus colaboradores e amigos”. Remanesce a questão, “como podemos nos certificar de que estes não são apenas nossos próprios pensamentos? estudiosos falam dos três pontos de referência, também chamados de três lâmpadas, que podemos consultar para determinar o que Deus deseja que façamos. Essas lâmpadas são as circunstâncias, as impressões do espírito, e as passagens da Biblia. Quando as três apontam na mesma direção, sugere-se que tenhamos a certeza de ser aquela a direção que Deus planejou para nós.”

Ao longo da vida cristã, fiquei na expectativa de, um dia, ouvir Deus falar. Agora, pensando bem, consigo lembrar algumas oportunidades em que, hoje, creio, poderia ser Deus me falando. A sensação momentânea de agradável estranheza, e a percepção, ainda que a posteriori, de que algo incomum acontecera, é a marca que trago na memória. Acredito também, que esta deve ser uma experiência quase comum entre os cristãos.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

SER SENHOR OU ESCRAVO DE MEUS PENSAMENTOS: QUEM ESTÁ NO CONTROLE?


O RECURSO MAIS ESCASSO. Por ocasião da minha aposentadoria, um dos pensamentos que mais me fortalecia neste propósito, era utilizar mais plenamente o recurso mais escasso que dispunha doravante, a saber o tempo de vida, e, neste sentido, na medida das possibilidades, ocupar o tempo remanescente da melhor forma possível. Ocorre que nosso tempo de vida é ocupado por pensamentos, que no contexto, envolve intelecto, emoções e vontade, isto é, pensamentos que têm cores, sabores e odores. A importância de ter controle sobre os pensamentos é crítica, quando se considera que nossos pensamentos podem também controlar nossas vidas. Assim a qualidade da ocupação da mente é determinante da qualidade de vida, e como alguém já disse , “ você é o que você pensa”.

QUANDO NOSSOS PENSAMENTOS NOS CONTROLAM. Duas ilustrações: do “redemoinho ou turbilhão de pensamentos”, onde a mente desgovernada, fica inundada por pensamentos dispersivos, que deslizam sem parar; e, do buraco negro do pensamento único, recorrente, e obsessivo”, dos quais a mágoa, o medo e a raiva, são os exemplos mais evidentes. Sobre a mágoa, Fred Luskin em seu livro “O poder do perdão”, ilustra com a metáfora do controlador de vôo estressado: “imagine que suas mágoas não resolvidas são os aviões visualizados na tela, voando em círculos há dias e semanas sem fim. A maioria dos outros aviões já pousaram, mas suas mágoas não-resolvidas continuam a ocupar um precioso espaço aéreo, exaurindo os recursos necessário em caso de emergência... As mágoas são os aviões que não pousarão. Eles enchem por inteiro sua tela, ocupam sua mente e, em especial, dificultam que você aprecie as coisas da sua vida que são maravilhosa”. O mesmo também vale para a raiva e o medo. Estas imagens, muito ricas de imaginação, apontam para perigos a que estamos constantemente expostos, a saber, ter a mente mal ocupada, à mercê de tudo que, desordenadamente lhe passa pela consciência, ou bem assim, pré-ocupada compulsivamente, com uma idéia dominante, que rigorosamente lhe cega e aprisiona. Ambas conjunturas nos roubam as oportunidades de desfrutar daquilo que é o recurso mais precioso e escasso que temos, o tempo de vida. Uma outra característica comum destes estados equivocados de atenção, é sua natureza acelerada, fazendo com que estejamos compulsivamente, crescentemente, ocupados e preocupados. São, por assim dizer, vampiros ocupacionais de nosso tempo de vida.

QUANDO CONTROLAMOS NOSSOS PENSAMENTOS. Um recurso poderoso é fazê-los passar por filtros de pensamentos: “filtro do que é verdadeiro - isso significa que os nossos pensamentos devem corresponder aos fatos. Se houver alguma dúvida sobre a veracidade dos fatos, devemos imediatamente abandonar esse pensamento; filtro do que é respeitável - nem sempre a verdade irá nos inspirar respeito; para ser respeitável, uma verdade precisa estar inserida no território das atitudes e das motivações corretas; filtro do que é justo - contrapõe-se ao pensamento discriminatório, que faz distinção a favor ou contra uma pessoa com base no grupo ou classe à qual ela pertence, em detrimento dos próprios méritos; filtro do que é puro - a vida impura já foi comparada com uma mancha capaz de desfigurar o ser humano tal como uma doença; filtro do que é admirável - os pensamentos admiráveis são aqueles que podem ser escritos na sua testa, sem que você fique constrangido ou envergonhado por todos os estarem lendo; filtro do que é amável - ser amável é ser digno de ser amado; que procura agradar; delicado, atencioso, desejar o bem para os outros”. Outras providências afins: resguardando-nos do lixo mental – a importância de controlar o que entra na mente acentua a oportunidade de ser mais seletivo quanto ao objeto de atenção no momento, o que já reduziria bastante o trabalho de filtrar, com destaque para o poder avassalador da mídia na atualidade; e, o principio da substituição - “substituir formas erradas de pensar por formas corretas. É um processo que se dá de pensamento em pensamento, requerendo atenção e disciplina diárias. Temos de aprender a ouvir os nossos pensamentos e a nos tornarmos bem conscientes deles o tempo todo. Acompanhar bem de perto como se processam esses pensamentos, o que exige disciplina. Pode ser comparado com uma batalha, e quanto mais tempo permito que essa luta com um pensamento errado persista, maior é a probabilidade de acabar tomando a decisão errada.”

Ocupando com sabedoria o tempo de vida: “... tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”. (Apostolo Paulo).

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

CONHECER PESSOALMENTE A DEUS






Meu conhecimento pessoal de Deus é ainda bastante incipiente, apesar de que já fazem quase 63 anos que Ele me conhece muito bem. Eu estou gravado nas palmas de suas mãos; nunca sou esquecido por Ele. Por conta de já ter nascido em lar cristão, e, ao longo da vida me envolver com atividades de educação cristã, na Igreja, posso dizer que tenho acumulado razoável conhecimento sobre Deus, ou, de segunda mão, o que é infinitamente inferior a um conhecimento pessoal.
Neste ínterim, aprendi que a coisa mais importante, e que crescentemente pode dar mais sentido à minha vida, é exatamente aumentar o conhecimento de Deus, dia a dia. Aprendi que é possível uma pessoa ter um grande conhecimento sobre Deus sem ter muito conhecimento de Deus. Aprendi que um conhecimento pessoal de Deus é fonte de alegria inefável, como sói acontecer num relacionamento de amizade, com muito carinho, além do conhecimento mútuo. Conhecer a Deus é uma questão de envolvimento pessoal - mente, vontade, e sentimentos; caso contrário, não seria realmente uma relação plenamente pessoal. Assim, para conhecer uma pessoa, é necessário gastar tempo em sua companhia, envolver-se com seus interesses e estar pronto a se identificar com suas preocupações. Sem isto o relacionamento com ela será apenas superficial e sem graça. “Oh! provai e vede que o Senhor é bom” diz o salmista. “Provar é experimentar. Nós não conhecemos as verdadeiras qualidades de outra pessoa até que tenhamos experimentado sua amizade. À medida que abrem seus corações um ao outro, pelo que dizem e fazem, cada um “saboreia” a qualidade do outro, seja tristeza ou alegria. Este é um aspecto essencial do conhecimento que os amigos têm um do outro; e isto também se aplica ao conhecimento que o cristão tem de Deus, visto que é um relacionamento entre amigos. A Bíblia fala que podemos conhecer a Deus da mesma forma como o filho conhece a seu pai. Isto faz parte do conceito bíblico de conhecer a Deus; aqueles que o conhecem são amados e cuidados paternalmente por Ele.”
Conhecer a Deus é uma questão da graça divina. É um relacionamento cuja iniciativa é completamente de Deus. Nós não fazemos amizade com Deus; Ele é que se torna nosso amigo levando-nos a conhecê-Lo e tornando Seu amor conhecido por nós. Todo o meu conhecimento de Deus depende da iniciativa permanente da parte d’Ele em me conhecer. Eu o conheço porque Ele me conheceu primeiro, e continua a me conhecer. Ele me conhece como meu melhor amigo, alguém que me ama. Não há um único momento em que Ele tira seus olhos de mim ou que se distrai e que me esquece; portanto, não há um momento sequer em que Ele deixa de cuidar de mim. Este é um conhecimento extremamente significativo, e que traz um indizível conforto.

Aprendi, finalmente, que o 1º passo para conhecer pessoalmente a Deus é reconhecer quanto nos falta deste conhecimento relacional. Este passo eu já dei. Na seqüencia, que a minha oração a cada final de dia, doravante seja: “Graças a Deus que O conheço pessoalmente, hoje mais do que ontem, mas ainda menos do que amanhã”. Estou caminhando...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

INICIO DE ANO E ESPERANÇA QUE SE RENOVA


Enquanto há vida, há esperança, costumamos dizer, mas a verdade mais profunda é que só quando há esperança é que há vida. Perca a esperança, e a vida com toda a sua fascinante variedade de oportunidades, se reduzirá à mera existência – desinteressante, insatisfeita, triste, monótona,... um fardo e uma dor... Mas a esperança gera energia, entusiasmo e empolgação; a falta de esperança produz apenas apatia e inércia. Assim, para sermos pessoas plenamente desenvolvidas é necessário termos esperança no coração. O filosofo Kant disse que uma das perguntas básicas da vida é: o que esperamos?”. Identifico em mim mesmo, a necessidade de fortalecer esta esperança, que é fonte de alegria para a alma, e faz bem ao coração, restaurando suas energias. Comumente a desesperança é também um dos fantasmas da terceira idade, com o esvaziamento de nossos sonhos, e a conformação com o status-quo. Neste ínterim, alguns transferem suas esperanças, para uma vida após a morte, como se nesta vida não se pudesse esperar nada de melhor. Alguém já disse, que, mantidas as condições correntes - independente da época em que se vive - esta vida, se prolongada sem fim, seria mesmo impensável e insuportável. Também a memória de coisas boas, e realizadas, parece que ficou sepultada em algum recôndito de nosso inconsciente.

Esperança é, não obstante, uma expectativa das boas coisas esperadas. Isto soa como um remédio eficaz contra a insatisfação, e na sua esteira vão muitos placebos, quais sejam, algumas fórmulas de auto-ajuda, de efeito circunstancial e muito breve. Logo a desesperança retorna ensejando a visão de mesmice, onde nada de novo existe, nem mesmo vislumbrada no horizonte de vida. Certamente que todos, em algum momento de nossas vidas, podemos experimentar momentos de decepção e frustração, quando sentimos que não há esperança. Mas existem exemplos de pessoas que parecem desfrutar de uma esperança que se traduz numa alegria contagiante, e mais permanente; uma vigorosa esperança que dá um sabor especial a cada momento, e o transforma , sempre na expectativa de algo bom e novo, a ser admirado, e desde logo aguardado com muito prazer. Assim a esperança cristã é uma expectativa confiante e segura de ações divinas, e sua base são as promessas de dias melhores ainda por vir. Aqui o que faz a diferença reside na base desta esperança, pois trata-se da promessa dAquele que primariamente nos deu vida. Neste sentido, “a esperança cristã expressa o conhecimento de que a cada dia da vida, e a cada momento a mais, o cristão pode dizer com certeza, com base na promessa de Deus, que o melhor ainda está por vir.” Eis aí o que pode dar muita alegria!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

MEUS TRÊS PEDIDOS DE + PARA O ANO NOVO DE 2012


QUERO VIVER +, EM HARMONIA, NA “PAZ DE DEUS”. Paz é algo muito mais positivo e abrangente do que a ausência de conflito; é antes, tudo quanto contribui para o sumo bem do homem. Paz = Shalom, é a tradução do grego Eirene, e envolve tudo quanto constitui o repouso, o contentamento e a verdadeira felicidade do coração. Descreve a serenidade, a tranqüilidade, o perfeito contentamento da vida totalmente feliz e segura. Eirene é a palavra para descrever a perfeição dos relacionamentos; é a palavra da amizade humana, do relacionamento certo entre as Nações. Paz define também o relacionamento certo entre o homem e Deus, e por decorrência o relacionamento certo em todas as esferas da vida. Esta Paz consubstanciou-se no dom (presente) de Jesus Cristo. Quando ressuscitou, sua saudação foi: “Paz seja convosco”; e quando voltou aos Céus, sua última vontade e testamento foi: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou” . Desejo enfim que a Paz de Deus se realize a cada dia, no meu viver, por meio de atitudes que falem de boas relações com Ele. Shalom Adonai !
QUERO VIVENCIAR +, EM ADMIRAÇÃO E REVERÊNCIA, O SUBLIME E O INEFÁVEL MISTÉRIO QUE ENVOLVE O MILAGRE DA VIDA. Admiração é derivado de miraculum – milagre. No pensamento do rabino Joshua Heschel, “admirar significa ver, e, no ato de ver, sentir o estranhamento do que aparece. Segundo ele, “o que aparece é sempre admirável e tem força de produzir em nós uma tonalidade ou disposição afetiva a que chamamos de espanto ou admiração. O que nos enche de maravilhado assombro não é o que compreendemos e somos capazes de comunicar, mas o que se situa dentro do nosso alcance e ao mesmo tempo está além da nossa compreensão. A música, a poesia, a religião, todas iniciam a alma no encontro com um aspecto da realidade para o qual a razão não tem conceitos e a língua não tem palavras. A reverência é uma das respostas do homem à presença deste mistério. O sublime e o inefável são aquilo que vemos mas que somos incapazes de expressar, e, para o que, a nossa resposta pode despertar em nós a percepção do milagre.” Neste contexto, espero então criar mais espaço propício para louvor e adoração a Deus, Supremo Criador e Mantenedor da vida.
QUERO SENTIR +, QUE VIVI OS DIAS DA MINHA VIDA, E, PODER CONCLUIR QUE VALEU A PENA! Segundo Henri Boulad, “há duas maneiras de olhar o passado: a maneira profana, que reduz a vida a uma sucessão de eventos vazios e unidimensionais, e a maneira sagrada, que vê na existência a ação secreta e contínua de Deus. Na ocasião em que as coisas acontecem, não tomo consciência de seu significado e é só depois, em resultado de certo distanciamento que descubro a graça especial, a profunda importância de tais acontecimentos. Lembrar-se é trazer aos nossos corações um evento passado, para dar-lhe nova vida. Em latim, “recordare” significa “reevocar” e deriva da palavra latina para coração: “cor, cordis”. Assim recordar não é apenas uma atividade abstrata do cérebro, mas uma coisa do coração ... É certo que o passado não morre, e as lembranças mantêm o passado vivo, presente. É por isso que as memórias são tão sagradas...Viver com todo o peso e o ímpeto do que fui, molda minha vida de uma maneira bem diferente e ela assumirá outra dimensão. As lembranças nutrem nosso presente com seu sabor e seu fogo e nos dão um valor inestimável”. Assim “quero trazer à memória, o que pode me dar esperança”.
E o mesmo desejo a todos que me dão a alegria de poder chamá-los de amigos!

domingo, 4 de dezembro de 2011

NATAL, O PRESENTE DE DEUS PARA NÓS

UM TELEGRAMA DO CÉU

Data: 1º dia do ano 0001

Remetente – Deus, nosso Pai, do Céu

A/C - de pastores, no campo, cuidando de seus rebanhos de ovelhas, e,que prontamente responderam: “vamos a Belém

Destinatários: para todos nós

Portador – um Anjo

A mensagem:eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor”.

Com o acompanhamento musical de um coro da milícia celestial:Glória a Deus nas maiores alturas, e Paz na Terra entre os homens, a quem Ele quer bem”.

A notícia mais gloriosa que Deus, em todos os tempos, deu aos homens, foi este telegrama noturno, dando conta de muito júbilo no Céu. Ele trouxe alegria aos homens que viviam sem esperanças de comunhão com Deus, envolvidos nas trevas do pecado e no medo da morte. E a confirmação: eles encontraram tudo conforme o Anjo havia avisado. Voltaram com louvor e adoração . “Um menino vos nasceu, um filho se vos deu”. Comentando este texto do Evangelho de Lucas, o reformador Lutero chama a atenção para que este é na verdade a essência dos Evangelhos: um presente maravilhoso de Deus; o menino Jesus é o único do qual se diz “é-nos nascido”. Este menino nos pertence, a todos nós, nasceu para nosso bem. É uma dádiva gloriosa - uma criança, um filho! É uma dádiva pessoal – ele nos foi dado, nos pertence, a todos nós! Nasceu para o nosso bem, e com Ele, tudo que Ele tem, tudo que conquistou na Terra é direito nosso, é nossa herança! Por isso a pregação se chama evangelho, o que significa uma boa notícia, que difunde alegria e consolo. Por isso o Evangelho não é propriamente um código de leis e preceitos que nos exija primariamente atuar, senão um livro de promessas divinas, no qual nos promete, oferece e dá todos seus bens e benefícios em Cristo. Sabemos também a motivação de Deus ao nos presentear desta forma: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que nos deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” É esta em essência a natureza dos Evangelhos, da boa notícia, e que é motivo de tão grande alegria. Devido a uma compreensão distorcida dos Evangelhos, alguns cristãos acabam perdendo a alegria de recebê-lo primariamente como um presente gracioso, ao qual, corresponderia uma resposta espontânea, de gratidão pelo presente recebido, uma resposta de amor correspondido.

O melhor presente, dom, dádiva de Deus, no Natal é o Senhor Jesus. "Este presente vem do Céu. Um presente que faz o coração feliz; nunca envelhece, enquanto todos os demais perecem. Está sempre conosco. Transforma quem o recebe (foi-nos dado para salvação). Um presente que todos podem receber (os Anjos não receberam presente igual). Um presente maravilhoso - o Senhor Jesus é a dádiva mais preciosa de Deus. Deus dá ricamente e em todo o tempo, mas o Senhor é a dádiva de todos as dádivas. Uma dádiva gloriosa, uma criança, um filho. Nunca houve um dom semelhante; em sua origem – não foi um menino comum, foi singular; em seu motivo – é seu amor que Lhe fez pensar em nós; em seu efeito – este Dom traz gloria, paz e boa vontade; em sua qualidade – outros dons passam, se gastam ou morrem, este vive para sempre. Nunca houve um dom tão descuidado: saiu com esplendor do Céu, chegou de noite e sem encontrar pousada; os Anjos o louvavam no Céu, enquanto na Terra, Herodes o maldizia e perseguia; tudo que teve foi emprestado - berço, barco, jumentinho, mesa, cruz, sepulcro. Hoje tem muito pouco lugar para Ele entre nós, e estamos continuamente sem tempo, e sem espaço, muito ocupados e preocupados conoscos mesmos."

Um motivo de grande alegria para todos que o recebem. “Nasceu nosso Salvador que é Cristo o Senhor; por isto será chamado de Emanuel, que significa Deus conosco”. O apostolo Paulo nos dá qual foi a motivação de Deus: “afim de podermos nos tornar filhos de Deus”. Natal significa nascimento, que enseja muita alegria, como no cântico de Maria: “minha alma engrandece ao Senhor (alegria do coração)/ meu espírito se alegrou em Deus (alegria do espírito)/ meu Salvador (alegria da salvação)/ Ele contemplou na minha humildade (agradecida)/ Considerar-me-ão bem-aventurada/ Porque Ele me fez grandes cousas. O primeiro louvor registrado no Antigo Testamento sucedeu após a Saída do cativeiro no Egito; foi um hino de salvação da escravidão. O primeiro louvor do Novo Testamento é de glorificação do Salvador (o cântico de Maria, provem de um amor ardente e um gozo transbordante, nos quais se inspiram seu coração e sua vida, motivados do interior pelo Espírito Santo).

A celebração do primeiro Natal foi em Belém-Efrata, que significa “casa de pão”, e “fértil”, era uma das menores cidades de Judá. Lar de Abrão, Isaque, e Jacó; ali nasceu Jesus. Seus participantes - José, Maria, os Pastores – ignorantes, pobres e da vizinhança - e os Magos – sábios, fortes, ricos, procedentes de terras distantes, do Oriente. O canto de celebração – “Gloria a Deus” (no Céu) e “Paz aos homens” (na Terra). Ao finalizar houve uma oferta real: ouro, incenso e mirra. Os pastores regressaram glorificando e louvando a Deus; os Magos regressaram por outro caminho, havendo achado seu Bem maior. Hoje, o que nós faremos com semelhante Dom (presente)?

ENTÃO É NATAL ! é a canção popular, na bela interpretação da cantora Simone. Um feliz e verdadeiro Natal compartilhando este presente singular de Deus para todos nós!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Da QUALIDADE DE VIDA à VIDA ABUNDANTE- insights sobre nossas necessidades, interesses, desejos, motivações, e alvos na vida

A QUALIDADE DE VIDA, enquanto método desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde, mede as condições de vida de um ser humano envolvendo o bem físico, mental, mental, psicológico e emocional, além de relacionamentos sociais, como família e amigos, e, também a saúde, educação, poder de compra e outras circunstâncias da vida. É composto por seis domínios: o físico, o psicológico, o do nível de independência, o das relações sociais, o do meio ambiente e o dos aspectos religiosos.

NOSSAS NECESSIDADES. Abraham Maslow, propôs uma hierarquia de nossas necessidades, segundo a qual, as necessidades de nível mais baixo devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto. Cada um tem de "escalar" uma hierarquia de necessidades para atingir a sua autorrealização. Maslow define um conjunto de cinco necessidades descritas na pirâmide: 1) necessidades fisiológicas (básicas), tais como a fome, a sede, o sono, o sexo, a excreção, o abrigo; 2) necessidades de segurança, que vão da simples necessidade de sentir-se seguro dentro de uma casa a formas mais elaboradas de segurança como um emprego estável, um plano de saúde ou um seguro de vida; 3) necessidades sociais ou de amor, afeto, afeição e sentimentos tais como os de pertencer a um grupo ou fazer parte de um clube; 4) necessidades de estima, que passam por duas vertentes, o reconhecimento das nossas capacidades pessoais e o reconhecimento dos outros face à nossa capacidade de adequação às funções que desempenhamos; 5) necessidades de autorrealização, em que o indivíduo procura tornar-se aquilo que ele pode ser: "O que os humanos podem ser, eles devem ser: Eles devem ser verdadeiros com a sua própria natureza”. É neste último patamar da pirâmide que Maslow considera que a pessoa tem de ser coerente com aquilo que é na realidade "... temos que ser tudo o que somos capazes de ser, desenvolver os nossos potenciais".(extrato antigo do serviço de pesquisas da Encyclopedia Britanica).

NOSSOS INTERESSES E DESEJOS MAIS BÁSICOS. Psicólogos e sociólogos descobriram que certos desejos são comuns aos seres humanos em todo o mundo, e que esses desejos dominam o comportamento individual. Que o homem, em qualquer lugar, é motivado por certos interesses que são o resultado e a expressão de necessidades fundamentais de sua natureza. Esses interesses são: o interesse procriador; o fisiológico; o individual ou egoístico; o social; e, o transcendental, isto é, interesse no infinito, no sobrenatural. A satisfação desses interesses possibilita a ascensão e desenvolvimento das sociedades, e responde pelas várias instituições sociais, como família, sistemas econômicos e religião. Cada um desses fenômenos societários, e muitos outros, podem ser atribuidos à existência daqueles interesses. Outra relação inclui: 1) desejo de novas experiências, ou seja, um desejo de evitar a monotonia e uma ânsia de excitamento, e que expressa-se de várias formas, dependendo do temperamento do indivíduo e do tipo de sociedade em que vive; 2) desejo de segurança que, em certo sentido, é o proposto do de aventura, mas que se acha presente ao mesmo tempo; 3) desejo de resposta, que é o desejo de afeição, simpatia, e estima dos outros; esta ânsia de resposta se encontra na amizade, e no amor filial, paternal e conjugal; o fracasso na satisfação desse desejo básico pode destruir a moral e a eficiência do individuo; 4) e, desejo de reconhecimento, que é o desejo de aprovação dos outros; acredita-se que esse desejo tenha raízes na nossa aspiração de autoestima. (extrato antigo do serviço de pesquisas da Encyclopedia Britanica).

NOSSO DESEJO DE JUSTIÇA, ESPIRITUALIDADE, RELACIONAMENTO E BELEZA. São características distintivas do ser humano:1) um chamado à justiça na esperança de endireitamento do Mundo e de todos nós que nele vivemos; 2) a fonte escondida da espiritualidade - é como uma placa indicando que os seres humanos foram feitos para algo mais...; 3) o campo dos relacionamentos humanos - é como se nós, humanos, tivéssemos sido feitos para encontrar nosso propósito e significado, mais no outro, e nos significados e propósitos compartilhados com uma família, amigos, etc.; 4) a admiração pela beleza - o mundo está repleto de beleza, mas ela é incompleta, e, do mesmo modo que a justiça, escapa de nossas mãos. (de “Simplesmente Cristão, porque o cristianismo faz sentido”, de N.T. Wright).

NOSSA MOTIVAÇÕES PRIMEIRAS. Ânsia de prazer, para Freud; ânsia de poder, para Adler, e Nietzsche; ânsia de significado, para Viktor Frankl (famoso psicólogo, sobrevivente do holocausto, que desenvolveu a corrente da psicologia denominada Logoterapia, baseada na busca por sentido como motivação primária da vida - os caminhos através dos quais podemos encontrar sentido são: vivenciando, ou criando, ao nos dedicarmos a uma obra, tarefa ou pessoa. Viver com sentido, significa descobrir o melhor valor possível dentro de uma situação e realizá-lo).

A IMPORTÂNCIA DA FÉ. Todas as coisas existentes podem ser classificadas em dois grupos: o que está dentro do homem, e o que está fora dele; ao que está dentro do homem chamamos mundo subjetivo, e ao que está fora chamamos mundo objetivo. No mundo subjetivo, isto é, na alma do homem, há apenas necessidades; ali encontramos somente apetites, desejos, fome, sede, saudades, poderes pessoais, etc. A fome indica necessidade de alimento, a sede indica necessidade de água, a saudade revela necessidade de companheiros, etc,, e assim vemos que só necessidades enchem o mundo subjetivo, onde não se encontra satisfação para nenhuma delas. É no mundo objetivo que encontramos a satisfação de todas as necessidades do mundo subjetivo; achamos no mundo subjetivo a fome, no objetivo o pão; no subjetivo a sede, no objetivo a água; no subjetivo o desejo de saber, no objetivo a verdade. Enfim, para cada necessidade que se verifica no mundo subjetivo, encontramos a adequada satisfação no mundo objetivo. O mundo objetivo depende do mundo subjetivo para o seu progresso, e o mundo subjetivo depende do mundo objetivo para a satisfação de suas necessidades. O intercâmbio entre os poderes do mundo subjetivo e os bens do mundo objetivo, se estabelece pela fé. Pela fé não só o homem reconhece a sua necessidade, senão também procura achar a satisfação que para ela existe no mundo objetivo. O homem não chega a satisfazer a nenhuma das suas necessidades, senão pela fé. Neste sentido o homem em geral vive pela fé. Todas as fases da vida são um resultado da fé. Sem fé, não há, nem pode haver vida. “( de “Esboço de Teologia Sistemática”, de Langston).

VIDA ABUNDANTE. A fé também liga a necessidade à salvação; salvação de uma vida de pecado (= errar o alvo para o qual fomos criados) afastada de Deus, para uma vida de relacionamento com Deus, de maneira tão íntima como ocorre no contato entre pai (Deus) e filho (nós). E existem apenas dois objetivos finais pelos quais podemos optar: um é “o supremo bem de Deus e do universo”, isto é, amar a Deus primeiro e ao nosso próximo como a nós mesmos; o outro alvo é o “eu”. Não existe nenhuma outra alternativa, nem meio termos, nem posição de neutralidade. E esses dois alvos, como objetivos finais, se excluem mutuamente; são antitéticos e antagonistas.A vida abundante é então o padrão de qualidade desta vida, vivida pela fé em Cristo Jesus. Daí o Evangelho (= boas noticias): “Ele (Jesus Cristo) veio para que tenhamos vida, e vida em abundância.

Aos meus amigos, a quem convido, se desejarem, comentarem,e/ou enriquecerem com novos insights.