![]() |
DA MISÉRIA DAS CAMPANHAS POLITICAS |
![]() |
DOS AMIGOS QUE TÊM OPINIÕES DIVERGENTES |
Compartilho
com aqueles que comemoram o fato de não terem perdido nenhum amigo em períodos
conturbados, em meio a uma campanha de cunho politico, ao ensejo da convivência
com defensores tanto da situação como da
oposição. De maneira nenhuma isto significa que não se tenha, também, feito uma
opção pessoal, eventualmente circunstancial, mas antes, que se respeite quem
pensa de forma contrária.
Não
compartilho, porém, da miséria das campanhas politicas com intolerância, e tenho aversão pela estridência de militâncias
organizadas com seus bordões simplórios, e, bem assim o tom beligerante de
alguns, incitando o ódio e a violência
explícita; levam para o campo pessoal, qualquer crítica que antes deveria ser
considerada como essencialmente impessoal. Igualmente deploro a predominância
da marquetagem assim descrita pelo articulista Roberto Pompeu de Toledo, conforme
publicada na Veja de 2 de março de 2016: “O marqueteiro, com seus filmes, jingles, mensagens
subliminares e outros estratagemas, elevou a mentira à categoria de uma ciência
e uma arte....O marqueteiro opera no sentido de camuflar ideias e posições e
evitar escolhas. Quanto mais indefinido o candidato, mais chance – este é o
pressuposto – de arrebanhar o maior número de eleitores, ou de desagradar ao
menor número. O candidato travestido em arrebatador genérico é o ideal da
marquetagem...Como operam eles próprios sem régua moral, inspiram o candidato a
seguir pelo mesmo caminho – se e quando o candidato precisa ser inspirado para
tal.... O marqueteiro é um membro do governo que, ao contrário de um ministro,
não é responsabilizável por seus atos”.
Nesse
interim, é patética a figura do politico boquirroto - pessoa que fala demais,
fala sem pensar, não ouve o que fala, falastrão - e, prepotente em suas
manifestações do tipo: “no meu Estado, na
minha Região, quem manda sou eu”; esquecem-se do princípio básico de que
deveriam estar entre os primeiros a serviço da comunidade, esta sim, o ator
principal. Por oportuno soou estranho a dedicação do voto na Sessão recente do
Impeachment, “pelos meus familiares”?
Tolerância, humildade e autocrítica. Destaco
aqui, extratos de um texto de Martin Lloyd Jones, ao ponderar sobre o ponto de
vista mundanista de vida (vis a vis do ponto de vista cristão) ilustrado, por
oportuno com o “profundo
interesse politico que se tem manifestado, em vários países particularmente por
ocasião das eleições. Em última análise, no que consiste o
interesse real? Acerca do que as pessoas estão realmente interessadas, em ambos
os lados da disputa eleitoral? “
Recomenda-se
então algumas perguntas e ponderações que deveríamos então nos fazer:
“Quando por
ocasião das disputas eleitorais, somos convocados para escolher os candidatos,
nos descobrimos crendo que algum ponto de vista politico é inteiramente
correto, ao passo que o outro é inteiramente errado?... Se afirmamos que a
verdade está inteiramente de um lado ou do outro, e, em seguida, se analisarmos
os nossos motivos, haveremos de descobrir que isso se deve ao fato que ansiamos
ou por nos proteger ou por virmos a possuir alguma coisa que nos é vantajosa.
Uma outra excelente maneira de nos submetermos à prova consiste em indagar, de
nós mesmos, de forma inteiramente simples e honesta, por qual motivo defendemos
este ou aquele ponto de vista específico. Sim, qual é o nosso verdadeiro
interesse? Qual é o nosso motivo? Na realidade o que está por detrás dessas
opiniões politicas que advogamos, quando queremos ser totalmente honestos e
verazes conosco mesmos? Se realmente quiséssemos ser honestos, esta seria uma
pergunta extremamente reveladora.”
“Até que ponto
os nossos sentimentos estão envolvidos nessa questão? Quanto sentimento amargo
existe, quanta violência, quanta ira, quanto desdém e quanta paixão?”
“Estamos
encarando as coisas com uma espécie de atitude independente e objetiva , ou
não? Qual é a nossa atitude para com todas essas coisas? Devemos estar atentos
de nossas atitudes... se não são motivadas pelo preconceito, no lugar do
princípio ( quando alguém toma os seus próprios preconceitos e os transforma em
princípios normativos); de nossa tendência de por personalidades no lugar de
princípios; de nossa tendência de imputar motivos (visto não podermos
compreender por qual razão alguém defende certos princípios, podemos estar
imputando motivos estranhos a esse alguém); de habitualmente, estarmos
expressando nossas opiniões sem que tenhamos conhecido todos os fatos); etc.
“As distinções
que se fazem no campo dos pensamentos, em relação a quase todos os assuntos,
são quase inteiramente controlados por nossos preconceitos e não por
pensamentos puros. Quão pouca reflexão autêntica se vê nesta terra, por ocasião
das campanhas políticas... Nenhum dos protagonistas da disputa política
raciocina; tão somente, eles expõem ideias preconcebidas. Quão pouca reflexão
há em ambos os lados da disputa.”
“E, quão
astutos nos mostramos todos, ao tentarmos explicar como alguma questão
específica, que defendemos, não seja realmente desonesta.”
Desnecessário
reiterar que o foco aqui não são os candidatos e afins, mas antes circunscreve-se
aos amigos que têm opinião contrária, e, como tal merecem todo o respeito e
estima; quanto aos políticos envolvidos numa ou noutra posição, não teria nada
de bom a compartilhar. Como subproduto desta compreensão, podemos ainda ter uma
ideia mais abrangente de nossos reais motivações, que eventualmente são as
mesmas daqueles que têm opiniões divergentes.
Registro
finalmente o que creio seja um denominador comum, em relação ao momento político
em que vive o País, qual seja a esperança no combate à corrupção generalizada, correntemente
materializada na cruzada cívica capitaneada pelo Ministério Público e pelo Juiz
Sergio Moro.
Termino
com algumas colocações da ministra
Carmem Lúcia: "Na história
recente da nossa pátria, houve um momento em que a maioria de nós, brasileiros,
acreditou que a esperança tinha vencido o medo. Depois, descobrimos que o
cinismo tinha vencido aquela esperança. Agora parece se constatar que o
escárnio venceu o cinismo. O crime não vencerá a justiça". "O
brasileiro está muito raivoso, muito intolerante, sem conseguir ver ou ouvir o
outro”. "O papel das lideranças é apelar ao entendimento e fazer a
travessia que leve ao encontro. Um povo não pode ficar muito tempo flutuando,
sem saber para que lado vai".
Nenhum comentário:
Postar um comentário