quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O CORAÇÃO DE JESUS



Os Evangelhos revelam uma cadeia das reações emotivas e ações conseqüentes de Jesus, explicitadas nos seus relacionamentos com os outros. UM CORAÇÃO COMPASSIVO: atento às mínimas necessidades dos outros - “Desembarcando, viu Jesus uma grande multidão, compadeceu-se dela e curou os seus enfermos” (Mt 14:14); “Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E passou a ensinar-lhes muitas coisas” (Mc 6:34); “E, chamando Jesus os seus discípulos, disse: Tenho compaixão desta gente, porque há três dias que permanece comigo e não tem o que comer; e não quero despedi-la em jejum, para que não desfaleça pelo caminho” (e fez o milagre da multiplicação dos alimentos) (Mt 15:32) | Empatia para com aqueles doentes, a quem imediatamente curou – “Condoido, Jesus tocou-lhes os olhos, e imediatamente recuperaram a vista e o foram seguindo” (Mt 20:34) | Demonstrou súbita simpatia por uma pessoa leprosa – “Jesus, profundamente compadecido, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero, fica limpo! “ (e o curou) (Mc 1:41). UM CORAÇÃO QUE SE CONDÓI ATÉ AS LÁGRIMAS: Ele chorou na frente dos seus discípulos: Manifestando tristeza por causa de uma cidade não receptiva – “Quando ia chegando, vendo a cidade, chorou e dizia: Ah! Se conheceras por ti mesma, ainda hoje, o que é devido à paz! Mas isto está agora oculto aos teus olhos (Lc 19:41,42) | “Os judeus que estavam com Maria em casa e a consolavam, vendo-a levantar-se depressa e sair, seguiram-na, supondo que ela ia ao túmulo para chorar... Jesus, vendo-a chorar, e bem assim os judeus que a acompanhavam, agitou-se no espírito e comoveu-se. E perguntou: Onde o sepultastes? Eles lhe responderam: Senhor, vem e vê! Jesus chorou. Então, disseram os judeus: Vede quanto o amava. (e o ressuscitou) (Jo 11:31-36) | Não ocultou seus temores nem hesitou em pedir ajuda – “Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar; e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo (Mt 26:36-38). UM CORAÇÃO PACIENTE, SEMPRE DISPONÍVEL PARA ESCUTAR OS OUTROS: Os evangelhos mostram que Jesus tinha todo o tempo disponível e atenção enquanto conversava, e rapidamente estabelecia intimidade com as pessoas que o abordavam. Quer falando com uma mulher de um povo discriminado, junto a um poço onde tinha ido, cansado, saciar sua sede (Jo 4:6-9), quer com um líder religioso que o procurou fora de hora para se esconder no jardim (Jo 3:2) | Na conversa chegava imediatamente ao âmago da questão, e depois de rápidas palavras de conversação essas pessoa revelavam a Jesus seus segredos mais íntimos ( contrariamente ao costume naquela época, de manter os rabinos e os homens santos a uma distância respeitosa, Jesus extraía delas uma fome tão profunda que as pessoas se aglomeravam ao redor dele apenas para lhe tocar as roupas). Dava a maior atenção a qualquer “João-ninguém” que o interrompesse mesmo em meio a sua missão, fosse uma mulher com hemorragia que timidamente lhe tocou o manto (Mt 9:22) , fossem os dois cegos de Jericó, e que estavam se tornando importunos (Mt 20:34). UM CORAÇÃO QUE GOSTAVA DE ELOGIAR OUTRAS PESSOAS: Ressaltava as qualidades das pessoas: Jesus chamou Natanael de um verdadeiro israelita, em quem não há nada falso; de João Batista, disse que não havia nenhum homem maior nascido de mulheres; ao instável Pedro deu o nome de “a rocha”; da mulher cananéia , de quem curou a filha“... lhe disse Jesus: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se contigo como queres. E, desde aquele momento, sua filha ficou sã”( Mt 15:28); e, quando uma mulher assustada lhe derramou um vaso de alabastro com ungüento, de grande valor, num extravagante ato de devoção, Jesus defendeu-a contra as críticas e disse que a história de sua generosidade seria lembrada para sempre (Mt 26:7,13). UM CORAÇÃO ALEGRE E JOVIAL : Jesus era um homem alegre e sociável- Ele reivindicava ser o Filho de Deus, contudo comia e bebia como outros homens, e até ficava cansado e sentia-se solitário. Ele foi a festa de casamento que durava dias | Foi acusado de identificar-se com glutões - “Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: Eis aí um glutão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores! Mas a sabedoria é justificada por suas obras” (Mt 11:9) | Censurou aqueles que questionavam porque seus discípulos (de forma legalista) não jejuavam mais – “Respondeu-lhes Jesus: Podem, acaso, estar tristes os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? Dias virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo, e nesses dias hão de jejuar (Mt 9:15). UM CORAÇÃO SENSÍVEL ÀS INJUSTIÇAS SOCIAIS: A sensibilidade e deferência de Jesus para com as mulheres e as crianças e outras classes discriminadas, na cultura e no seu tempo – Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o Reino de Deus” (Mc 10:14) | “Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado” (Lc 10:21). UM CORAÇÃO SÁBIO, E CRÍTICO QUANDO NECESSÁRIO: “E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2:52) | Ao questionar, no íntimo um candidato a discípulo empolgado: “E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então,vem e segue-me” (Mc 10:21)| Tinha uma paciência quase infinita com os indivíduos, mas não tinha paciência nenhuma com as instituições e com a injustiça, que prontamente denunciava - Assim expulsou os vendilhões do templo conforme “ E encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados;tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas (Jo 12:14, 15) E, repreendeu aqueles que o queriam testar – “Jesus, porém, arrancou do íntimo do seu espírito um gemido e disse: Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo que a esta geração não lhe dará sinal algum” (Mc 8:12). JESUS FOI O HOMEM DOS OUTROS (Bonhoeffer). ASSIM É O CORAÇÃO DE DEUS!
(extraído, e adaptado do livro “O Jesus que eu nunca conheci, de Philip Yancey)
P.S. E, assim cantou o artista:

“No coração de Jesus
Tenho tudo que eu quero
No coração de Jesus
Tenho a paz que eu preciso
Tenho o abrigo perfeito
Contra qualquer perigo
Tenho o apoio da mão
Do verdadeiro amigo

O coração de Jesus
Ilumina minha alma
O coração de Jesus
Me dá força, me acalma

Nele eu posso chorar
E pedir seu perdão
O coração de Jesus
É minha salvação

...
No coração de Jesus
Qualquer um, qualquer hora
Encontra as portas abertas
Não quer mais ir embora

Feliz daquele que crê
Na verdade infinita
Pois tem no amor de Jesus
Tudo o que necessita

Jesus vive em mim
E eu vivo no Seu coração
O coração de Jesus
É minha salvação”

(Da canção “Coração de Jesus”, por Roberto Carlos)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O QUE ELES DISSERAM A UM PASSO DA ETERNIDADE


"Talvez eu não tenha existido em vão...”. Do texto com este instigante título, destaquei os registros mencionados abaixo, reunindo em dois grupos: no primeiro, as falas daqueles que partiram, por assim dizer com fé, na esperança da continuidade da vida, só que doravante na companhia de Deus; no segundo grupo, estão aquelas expressões de pavor e medo de alguém aterrorizado. 1º grupo: “Segure a cruz bem no alto para que eu possa vê-a através das chamas” (martírio de Joana D’Arc, aos 19 anos);“Eu estarei com Cristo e isso já será o suficiente” (Faraday, considerado como um dos cientistas mais influentes de todos os tempos); “Bem, não se esqueça de tocar “Take my hand, precious Lord” em nossa reunião de hoje à noite, toque-a muito bem” (Martin Luther King).
2º grupo:“Estou diante de um terrível salto nas trevas” (Thomas Hobbes, filosofo); “Estou em chamas” (David Hume, filosofo,famoso pelo seu profundo ceticismo); “Esta é uma batalha entre a luz e as trevas...eu vejo uma luz negra” (Victor Hugo, escritor mais importante do romantismo na França); “Se realmente existe um Deus vivo, sou o mais miserável dos homens” (Nietzsche,um dos mais influentes filósofos alemães do século XIX, é autor de conceitos como a morte de Deus, e a decadência das religiões).Os registros dispensam comentários.
Em outro sugestivo título, que usei para esta postagem, John Myers, organizou vários registros de pessoas célebres , em suas últimas palavras conscientes, dos quais selecionei duas personalidades opostas: DWIGHT MOODY e VOLTAIRE. Quando a chamada final veio para Moody, de repente, seu filho que velava em seu quarto, o ouviu falar com palavras lentas e bem medidas: “A terra desvanece – o Céu se abre diante de mim”. O primeiro impulso de seu filho foi tentar despertá-lo daquilo que lhe parecia um sonho. “Não, ...não é um sonho”, ele disse. “É lindo! É como um êxtase! Se isto é a morte, então é doce morrer! Não há tristeza aqui! Deus está me chamando e eu preciso ir!”. .. Então, pareceu como se ele tivesse enxergando além do véu, porque exclamou: “Este é o meu triunfo; este é o dia da minha coroação! Eu o desejei por muitos anos.”. então seu rosto se iluminou, e ele disse numa voz extasiada de alegria: “Dwight! Irene! Eu vejo os rostos das crianças” (referindo-se aos dois netinhos que Deus havia levado no ano anterior). Ao recobrar a consciência, proferiu debilmente estas palavras: “Não há dor! Não há tristeza”. Logo depois, mais reanimado, ele acrescentou: “Se isto é morte, não é nada mau! É doce!”... um pouco mais tarde, ele disse de novo: “Este é o dia da minha coroação! É glorioso”....E VOLTAIRE. ”Quando Voltaire – pensador e escritor francês – sentiu o duro golpe que o levaria à morte, ficou possuído de remorso. Recorreu imediatamente a um sacerdote e expressou seu desejo de se “reconciliar com a igreja”. Seus bajuladores, infiéis como ele, correram ao seu quarto para impedir que ele se retratasse, mas isso serviu apenas para que testemunhassem sua própria ignomínia e a dele. Ele os esconjurou face a face e, como sua aflição aumentasse com sua presença ali, ele exclamou várias vezes em voz alta: “Fora! Foram vocês que me trouxeram a esta condição. Deixem-me. Repito – vão embora! Que glória infame foi essa que vocês prepararam para mim!”. Esperando aliviar sua angústia por meio de uma retratação escrita, ele a preparou, assinou e a viu atestada. Isso tudo, porém, foi inútil. Durante dois meses ele se viu torturado por um intensa agonia que o levava, às vezes, a ranger os dentes sob a fúria impotente contra Deus e contra os seres humanos. Outras vezes, em tom súplice, clamava: “Ó Cristo! Ó Senhor Jesus!”. Em seguida, voltava o roso de lado e gritava: “Devo morrer – abandonado por Deus e pelos homens!”. Até mesmo sua enfermeira dizia repetidamente que nem por toda a riqueza da Europa ela jamais voltaria a ver outro incrédulo morrer.
Isto me faz lembrar a célebre aposta que o filosofo Pascal propôs: não é um argumento direto da existência de Deus. É um argumento que poderá ser considerado calculista, a favor de um comportamento humano de acordo com a existência de Deus, seguindo a "razão do coração". Este argumento tem mais ou menos o conteúdo que se segue: se você acredita em Deus e nas Escrituras e estiver certo, será beneficiado com a ida ao paraíso ; se você acredita em Deus e nas Escrituras e estiver errado, não terá perdido nada; se você não acredita em Deus e nas Escrituras e estiver certo, não terá perdido nada; se você não acredita em Deus e nas Escrituras e estiver errado, você irá para o fogo eterno.”

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

COLECIONADOR DE PENSAMENTOS


Alguém já disse que um bom livro não se deve apenas ler, mas comer. A ênfase vai para os insights maravilhosos que fazem eco e, de certa forma, iluminam nossas experiências de vida. Isto posto também tenho o hábito de registrar, pensamentos e idéias que me impactaram. Lembro quando, ainda na Faculdade, um colega eufórico comentava que estava lendo um texto de dialética marxista, contendo algumas leis, que, na sua opinião, explicavam “tudo”. De outra feita, comentava-se, com admiração, de um professora e filosofa com uma visão aberta e integradora, capaz de discorrer com erudição e propriedade sobre o movimento da Jovem Guarda, sucesso na época. Neste sentido um primeiro livro que me impactou particularmente por este aspecto abrangente e integrador, foi “O Meio Divino”, de T. Chardin, que pondera sobre a natureza sagrada de tudo o que fazemos, e evoca o pensamento bíblico de que “tudo o o que fizerdes, fazei-o muito bem feito, como se para Deus “, sem a separação entre profano e sagrado. São estes lampejos de criatividade que me despertam primeiro a curiosidade, e a admiração subseqüente, e que ensejam renovada motivação. Reuni, abaixo, algumas idéias e pensamentos, que cataloguei, como de direção, propósito e sentido da vida; de tensão criativa; e, de integração e totalidade.

IDÉIAS DE DIREÇÃO, PROPÓSITO, E SENTIDO: O ser humano é essencialmente, ou pelo menos originariamente se move e é motivado por uma vontade de sentido; um ser que quer encontrar por toda a sua existência e em cada situação no interior da mesma um sentido, e depois quer realizá-lo. A auto-transcedência do existir humano consiste no fato essencial de o homem sempre apontar para além de si próprio, na direção de alguma causa a que serve ou de alguma pessoa a quem ama. E é somente na medida em que o ser humano se autotranscende, é que lhe que lhe é possível se realizar – tornar-se real – a si próprio. A existência humana se distorce na mesma medida em que gira em torno de si própria... (Viktor Frankl ). A Teoria da semente de carvalho propõe que cada vida é formada por uma vocação que é a sua essência, que a leva para um determinado destino. Assim como o destino de um imenso carvalho já está escrito em sua pequena semente, do mesmo modo, o ser humano traz em si as marcas do que há de desenvolver. Um sentido de vocação pessoal, de que existe uma razão para eu estar vivo. A teoria do fruto do carvalho sustenta que cada pessoa tem uma singularidade que pede para ser vivida e que já está presente antes de poder ser vivida. ( “O Código do Ser”, de Hilmann). A Teoria do fluxo. Fluxo, ou experiências ideais, são as atividades descritas como as mais significativas, aquelas que, quando executadas, afastam preocupações e outros pensamentos. Pessoas em estado de fluxo sentem-se engajadas no desdobramento criativo de algo maior. Os melhores momentos não acontecem por acaso. Podemos reconhecer nossas experiências de fluxo como as que parecem fazer o tempo parar. A experiência do fluxo nos proporciona as duas coisas vitais para a felicidade: senso de propósito e autoconhecimento. ( Psicologia da Felicidade, de Mihaly Csizentmihaly).


IDÉIAS DE TENSÃO CRIATIVA: A lei da tensão que condiciona a existência e o progresso. Não é uma infelicidade a oposição das forças, porque até certo ponto, exatamente da luta é que nascem todas as coisas. Se a tensão não degenerasse por vezes, em ruptura, havíamos de nos alegrar da existência desta lei que nos obriga a por em jogo todas as nossas forças, em procura da unidade ideal; porque o atrito produz calor, movimento, e o movimento, progresso e vida. Tensão existe quando o mesmo homem é solicitado ao mesmo tempo por duas forças: por um lado o mundo e os seus valores materiais do qual o homem faz parte como ser da natureza; por outro lado, o campo sobrenatural, onde o homem se move por vontade divina. Existe tensão entre Ciência e fé , Individuo e sociedade...A tensão é absolutamente necessária para a conservação e o progresso de todo organismo vivo; sem ela a morte sobrevém. (Arnold Rademacher). O ser humano necessita de uma tensão fecunda entre aquilo que ele é e aquilo que ele deve ser; necessita da tensão existencial entre o ser e um sentido que ainda está por realizar. O homem move-se num plano horizontal, cujos polos são o sucesso e o fracasso; esta é a dimensão do homo sapiens que deseja ser bem-sucedido. Mas há uma segunda dimensão, que se situa noutro plano, perpendicular ao primeiro. É a dimensão do homo patiens, a daquele que, mesmo diante de um sofrimento inevitável, consegue avançar até a plena realização do sentido da sua vida. Aqui os pólos são a realização e o desespero. Da mesma forma que o sucesso pode fazer-se acompanhar de desespero, a realização pode andar de mãos dadas com o fracasso. ( Viktor Frankl).
IDÉIAS DE INTEGRAÇÃO E TOTALIDADE: O modelo da psique - como se denomina a personalidade como um todo – que compreende tanto o campo da consciência quanto o inconsciente pessoal e coletivo. Se fosse preciso concentrar numa palavra, a descoberta freudiana seria incontestavelmente na palavra inconsciente. Este mostrou que o psiquismo não é redutível ao consciente e que certos 'conteúdos' só se tornam acessíveis à consciência depois de superadas certas resistências. Correspondem àqueles aspectos que, em algum momento do desenvolvimento da personalidade, não foram compatíveis com as tendências da consciência e foram, portanto, reprimidas. Também estão, no inconsciente pessoal, percepções subliminares, ou seja, aquelas que foram captadas pelos nossos sentidos de forma subliminar, que nem nos demos conta de termos contato com o fato em si. Conteúdos da memória, que não necessitam estar presentes constantemente na consciência, estão presentes no inconsciente pessoal. Jung por sua vez , integrou ao consciente e ao inconsciente pessoal, o inconsciente coletivo. O Inconsciente Coletivo é constituído pelos materiais que foram herdados, e é nele que residem os traços funcionais, tais como imagens virtuais, que seriam comuns a todos os seres humanos. Para ele uma pessoa, em primeiro lugar é um todo, e não uma reunião de partes; ele já nasce como um todo. O que lhe cabe durante a existência é desenvolver este todo essencial, até levá-lo ao mais alto grau possível de coerência, diferenciação e harmonia, e velar para que ele não se fracione em sistemas separados, autônomos e conflitantes. (da Wilipédia). Religião E Vida. Toda a essência psicofísica do homem constitui o sujeito da religião e não apenas a alma ou alguma das suas faculdades. O Racionalismo, em particular, separou elementos que integram uma só unidade biológica. Como conseqüência as várias atividades da alma vão se alternando na tarefa de sustentar a religião: assim a religião ora reduz-se a um sentimento, o sentimento da nossa própria pequenez e indigência no seio do Universo ; ora uma forma da vontade e da ordem moral; ora religião reduz-se a um assunto exclusivamente da vida privada de cada individuo, uma questão de foro íntimo apenas. Esta deformação que separa a vida religiosa da vida social gera um desequilíbrio entre a vida religiosa e a atividade cultural do homem: o mesmo individuo age umas vezes como sujeito de cultura, outras, como cristão. Entrega-se a Deus na adoração, e no trabalho centra-se apenas em si mesmo, mal se distingue daquele que não o é. Religião despojada das suas relações com a vida é uma caricatura; e, a cultura sem religião carece de espírito; a exclusão do fator religioso da vida cultural, provoca necessariamente um vazio, porque a religião faz parte da natureza humana. Não basta a cultura para satisfazer o homem nem para o tornar feliz. Quando a religião já não é vida mas uma forma morta, ou, quando a vida já não é religiosa, mas ateia, a tensão cessa e sobrevém a ruína dessas forças. Religião enquanto subordinação do homem a Deus, tal como a vida, reclama o homem inteiro, pois quer comandar todas as energias, assim como as relações e fins do homem (Religião e vida, de Rademacher)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

TEMPO E DINHEIRO


Numa época em que tomamos crescente consciência de muitos recursos escassos, ameaçando a vida do Planeta, dois outros recursos também críticos, nos desafiam a imaginação; são eles: o tempo (de vida) e o dinheiro. Existe mesmo um vínculo forte entre a acumulação de dinheiro, e a forma como ocupamos nosso tempo.
A novidade em relação ao papel do dinheiro na atualidade. O renomado autor Jacob Needleman em seu sugestivo título “O Dinheiro e o significado da vida”, pondera que o dinheiro representa a principal força-motriz da vida humana na atual fase de civilização. “Em nossa época, as forças que definem a vida do homem manifestam-se por intermédio do dinheiro. Inventado para facilitar a aquisição e a distribuição da riqueza, o dinheiro, no mundo em que vivemos, participa também de tudo o que o homem faz e penetra em todos os compartimentos da vida, desempenhando um papel de importância sem precedentes em nossas vidas interior e exterior, e qualquer empenho sério no autoconhecimento e no auto-desenvolvimento requer o exame do real significado que ele tem para nós... Nossa sociedade priorizou a posse material na vida cotidiana... Cobiçamos a riqueza mais que qualquer outra coisa... O problema é grave porque as experiências que temos com o dinheiro se tornaram as mais excitantes e intensas de nossas vidas".
Outros registros afins. Competindo com este fruto tentador que ocupa grande parte do nosso tempo, podemos alinhar os desenvolvimentos possíveis de valores ditos espirituais, por oposição aos benefícios materiais advindos do dinheiro. E, dentre estes, destacamos os valores religiosos. Passando a largo da controvérsia em torno da Teologia da Prosperidade, que ensejou títulos do tipo “Deus quer que você seja um milionário", encontramos condenações mais explícitas ao amor ao dinheiro, como na parábola bíblica do rico insensato, admoestado sobre a possibilidade de lhe sobrevir tempestivamente a morte, sem maiores proveitos da riqueza acumulada. Mais pessoalmente, trago na memória expressão ouvida há muitos anos, de uma liderança tranqüila na Igreja, de seu orgulho pelo primeiro milhão de R$ (hoje seria de U$) que seu filho já teria atingido ainda antes dos 25 anos, e um outro registro mais recente, de um caro professor de religião, num exercício de livre imaginação, defendendo a tese, de que até mesmo alguns Discípulos de Jesus Cristo, teriam sido prósperos empresários da industria da pesca, no contexto em que viveram???.
Conclusões provisórias. É inegável o impacto avassalador do dinheiro na atualidade, para o que, de acordo com o autor citado no inicio, “temos de conceder às necessidades materiais a energia e a inteligência exigidas para satisfazê-las, ao mesmo tempo que reservamos dentro de nós espaço para encetar a busca de significado transcendental. Descubramos o que em nós pertence à esfera transcendental e o que pertence à esfera material . Em seguida , precisamos atribuir a cada uma o que lhe é devido”. Ponderamos também que o papel distorcido do dinheiro hoje, faz parte de cosmovisões, com modelos reduzidos e parciais da realidade, como o racionalismo do século XVIII - com o mito da razão dita objetiva e verdadeira, que não obstante a própria Ciência vem relativizando - o materialismo, o pragmatismo, e tantas outros ismos que se traduziram em correntes de pensamento ainda impactantes no dia a dia. E, certamente que, debaixo de uma cosmovisão “viciada”, a racionalidade da acumulação de riqueza é avassaladora, em detrimento da ética, e de outros valores mais inerentes a experiências não tão rentáveis, como o sentido do inefável, do respeito, da admiração, e, não por último, da fé, na avaliação do que realmente importa ocupar nosso tempo. A isto acrescentaria que precisamos identificar e isolar o poder idolátrico do dinheiro, que pode nos manter como que prisioneiros, assim como ilustrado no mito da caverna, desenvolvida por Platão. Nos termos do autor referido, “nossa relação com o dinheiro hoje, constitui um dos fatores principais que nos mantém na prisão, em que as grades e as correntes estão dentro de nós”. Por último agregaria que, superadas as barreiras financeiras comuns que assegurem uma vida digna, sobretudo nesta terceira idade, o recurso mais escasso é mesmo o tempo de vida útil, e, como tal, deve ser objeto de maior cuidado no seu emprego.

domingo, 15 de maio de 2011

MINHA QUERIDA MÃE CRENTE


No blog “de Coração a Coração", de nossos queridos Nanny e Winston, em homenagem ao dia das mães, foi postado um inspirado texto de nosso Pastor, intitulado “Mãe Crente”, onde Eunice, mãe de Timóteo, foi escolhida como símbolo da mãe crente, e a quem o Apostolo Paulo se referiu em sua carta a Timóteo nos seguintes termos: “ pela recordação que guardo de tua fé sem fingimento, a mesma que, primeiramente, habitou em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também em ti; e mais adiante “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te saio para a salvação pela fé em Cristo”. O reformador Calvino comenta que Timóteo “foi criado de tal modo que pôde sugar a piedade junto com o leite materno”.

E então, destaca o Pastor, no referido texto, algumas das qualidades de uma verdadeira mãe crente: “A mãe crente teme a Deus. Sua compreensão é que a fé não se esgota nas práticas religiosas, no atendimento aos ritos, nas práticas eclesiásticas, mas na integridade da vida, tendo como percepção fundamental a presença de Deus. A mãe crente transmite os valores da fé aos filhos. No caso de Eunice, isto já havia se consagrado numa prática de geração em geração. Ela havia recebido de Loide, sua mãe, e agora, era sua vez de passar para Timóteo. E mais: nada substitui a força de um lar no ensino de valores duráveis.Certamente, foi em casa que Timóteo conheceu a Cristo como seu único e suficiente Salvador. Por mais eficiente que seja o ministério da Igreja, reside sobre o lar uma responsabilidade maior nesta matéria. A mãe crente perpetua sua fé na vida dos filhos. Qual é o resultado do trabalho de uma mãe? A casa em ordem? A roupa lavada? A comida na mesa? Ora, todas estas coisas tem o seu lugar, no entanto, são periféricas na avaliação de desempenho; são, no máximo, meios. O produto final é o caráter dos filhos”.
Agora, continuo eu, personalizei o título deste comentário, pois não consigo generalizar, um patrimônio tão precioso, e ficar só em “mãe crente”; não dá mesmo para ser mais político, e dizer “nossa querida mãe crente”, é muito particular, é íntimo, é pessoal, daí, “Minha querida mãe crente”. Neste sentido registro dois exemplos atuais e próximos de mães crentes, mas que podem ser uma imagem “comum” de toda mãe crente. Encontrei em ambas, todos os indicadores antes referidos. Por oportuno, ambas têm características de vida muito parecidas: foram muito discretas, guardaram submissão evangélica aos seus maridos, que certamente muito as amaram, nos termos referidos pelo Apostolo Paulo em Cl 3:18,19. Foram missionárias de seus lares e Igrejas locais. Ambas, tiveram vidas extraordinariamente curtas, pouco mais de 50 abençoados anos. Deixaram contudo marcas indeléveis nas vidas de todos com quem conviveram. Delas podemos afirmar com segurança: “O Senhor a deu, o Senhor a tomou, bendito seja Deus”.
São elas também outras EUNICES, que imagino teriam provocado os mesmos elogios do Apostolo Paulo:
Dª HERMÍNIA MAINGUÉ SCHELEDER. Nasceu a 24/11/1897 em Guarapuava-PR. Era casada com o Coronel PM José Scheleder e teve dois filhos, José Scheleder Filho e Maria Luiza Scheleder Rocha Lima. Tornou-se membro da Igreja Presbiteriana de Curitiba em 3 de abril de 1927. Foi muito atuante na Sociedade Auxiliadora Feminina, sempre disposta a trabalhar na Igreja e também muito elegante em suas maneiras. Muito caridosa e fazedora do bem. Hábil no crochê, tinha por hábito presentear cada criança que nascia na Igreja com uma roupa de crochê carinhosamente tecida por ela mesma.No ano de 1964, quando a IPC abriu um lar de crianças, em propriedade doada pelo Dr. Lício Bley Vieira e sua esposa, Dª Laurete, no bairro de Santa Felicidade, alguém propôs que se desse ao lar o nome da mãe do Dr. Lício, mas ele objetou e pediu ao Rev. Oswaldo Emrich que fosse escolhido outro nome. O Rev. Emrich então propôs o nome de Dª Hermínia Scheleder, que havia falecido jovem aos 57 anos, em 25 de março de 1954, mas cuja memória ainda estava bem viva na comunidade.
Atualmente o Lar Hermínia Scheleder, administrado e mantido pela I Igreja Presbiteriana de Curitiba, abriga mais de 40 crianças, ali colocadas pelo poder Judiciário, vítimas inocentes de problemas graves nos respectivos lares.
Dª WANDA DE AMORIM FIGUEIREDO (minha mãe). Nasceu em 21/04/1920, na pequena cidade de Nazaré da Mata, interior de Pernambuco. Registro feito por minha irmã em 21/04/2011: “Indaga-se na Biblia “Mulher virtuosa quem a achará? ”. Nós tivemos o privilegio de sermos filhos de uma mulher virtuosa. Parafraseando texto bíblico, podemos dizer também: “na cidade de Recife havia dentre outras, uma mulher cujo nome era D. Wanda. Era mulher reta, íntegra, que temia a Deus e se desviava do mal”. Mais tarde casou-se com o desde sempre presbítero, e professor da Escola Dominical, Filadelfo Figueiredo, e desta união nasceram 5 filhos. Lar abençoado e abençoador, onde frequentemente os pastores buscavam um ouvido atento e uma palavra de conforto, quando a carga da Igreja se tornava pesada. Por muitos anos foi Presidente da Sociedade Auxiliadora, e por toda a vida professora de Escola Dominical, com destaque para as aulas onde as crianças ficavam deslumbradas com a magia com que narrava as histórias bíblicas com uso dos flanelógrafos. Ensinou–nos, juntamente com papai, as Escrituras Sagradas e o temor a Deus, ensinamento este fundamental em nosso caminhar, na formação de nosso caráter. Batalhou para sermos alguém na vida, muitas vezes mesmo estudando as matérias para nos ensinar, por ocasião do vestibular. Conseguiu! hoje somos dois médicos, dois engenheiros e uma economista, dois destes hoje também Pastores ungidos por Deus. Nossa mãe conseguiu, mas não teve o privilégio de desfrutar destas vitórias. Muito jovem, aos 55 anos Deus a tomou para junto de Si”. Meus registros complementares: Sua dedicatória em minha Biblia, quando eu tinha 13 anos: “No dia de sua profissão de fé, ofereço-lhe esta Biblia, rogando a Deus que o ajude a corresponder sempre ao Seu grande amor, mostrando amor a todos e reconhecendo o privilégio de ser um instrumento em Suas mãos. Sua mãe que muito o ama, ...” Campina Grande , 31.12.1961.Seu Hino preferido: “Com tua mão segura bem a minha, pois eu tão frágil sou oh Salvador, que não me atrevo a dar nem um só passo, sem teu amparo, meu Jesus, Senhor...”.Seu salmo preferido, marcado na minha Biblia: Deus é o nosso refúgio e fortaleza (Sl 46). MINHAS QUERIDAS MÃES CRENTES, QUE PRESENTE DE DEUS!
P.S. Comentários do mano pastor e médico de homens e da alma: "A Péricles os Parabéns! A D.Wanda as Honras! a Deus toda a Glória. O texto é lindo por seu conteúdo, é digno por sua verdade, é precioso por sua oportunidade em tempos quando mães jogam filhos em lixeiras". Carlos Alberto

sexta-feira, 8 de abril de 2011

APRENDENDO A NOS CONHECER


O inspirado escritor Albert Nolan, em seu livro “JESUS HOJE”, pondera que normalmente estamos tomando uma imagem nossa, projetada e distorcida, por “nosso verdadeiro Eu”. Afirma então que esta imagem projetada, que não obstante, muitas vezes nos domina, é na realidade o “nosso eu egoísta”. E , dá algumas pistas simples de como começamos a notar os sinais de nosso verdadeiro eu: quando começamos a sentir um forte desejo de conhecer a verdade acerca de nós mesmos, por muito humilhante que essa verdade possa revelar-se, isso é o nosso verdadeiro eu; quando conseguimos rir das manias do nosso ego, é o nosso eu que está rindo; quando nos sentimos, genuinamente, movidos por sentimentos de compaixão para com as pessoas necessitadas, esse é o nosso verdadeiro eu; quando começamos a sentir uma grande gratidão pelos inúmeros dons que a vida nos oferece, podemos ter certeza de que isso não provém do nosso ego.O ego é completamente incapaz de sentir gratidão.”

E admoesta finalmente, que, O principio de autoconhecimento, .., é a autoconsciência crescente do nosso ego e de como ele funciona... devemos dar inicio à prática de observar o nosso comportamento em diversas circunstâncias, e de reconhecer as nossas compulsões e obsessões. Devemos começar a enfrentar com o máximo de verdade possível as nossas motivações...”.
Esta oportuna reflexão me estimula a exercitar um salutar distanciamento daquilo que é objeto de minha atenção imediata, para melhor avaliar as motivações que me movem, que podem assim ter duas fontes: o eu egoísta, ou, o Eu verdadeiro.
Isto me trouxe uma esperança; afinal, tantas posturas assumidas, ao longo da vida, e que não se revelaram propriamente altruístas, não era o meu verdadeiro eu, mas seu simulacro, alimentado por tantas fantasias e erros incorridos. Por outro lado, deu-me uma pista a ser seguida: observar melhor os sinais do verdadeiro eu, como os mencionados.
Particularmente, gostei da recomendação para desconfiar, quando nos levamos a sério em demasia, perdendo assim a capacidade de poder rir das manias do nosso ego.
E, o alivio, de reconhecer em alguns sinais demonstrados de compaixão e de gratidão, como fortes evidências de que se trata do meu verdadeiro Eu, a ser, doravante, mais estimulado.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

AMIGOS PARA SEMPRE



Toda vez que revejo fotos de tantos amigos, conquistados em muitos anos de vida, me emociono! Alguns, ainda tenho o privilégio de poder abraçar, de vez em quando; muitos agora se encontram longe, até do outro lado do mundo; outros já partiram...; todos deixando uma saudade infinita, e um marca indelével em nossa vida. Quanta saudade! ... há se pudesse voltar no tempo! só para poder apreciar suas presenças, e agradecer a Deus por existirem de verdade!
Em nossos, agora distantes, anos de convivência, foram aparentemente momentos comuns, quase desapercebidos, e que hoje, trago na lembrança para constatar que, na realidade formam, um patrimônio incalculável. Cada lembrança uma jóia de inestimável valor, que o tempo longe de apagar, acentua a cada ano que passa.
Hoje, teria tantas coisas para compartilhar com cada um, e que no fundo se resume em poucas palavras: obrigado por existirem, eu também amo você! Demorou para cair a ficha, de que cada relacionamento, principalmente aqueles de amizade, são muito mais do que circunstâncias, são os próprios elos da corrente da vida.
Guardo com muito apreço, um quadro singelo, mas muito significativo, que logo mandei emoldurar, com o nome de todo o quadro de pessoal, numa justa homenagem da Eletrobrás. E, na imaginação, amplio o quadro, para incluir cada um, com tudo que representa para mim, e poder contemplar agradecido, pelo que, no seu conjunto, juntamente com a família, é na realidade o quadro da nossa vida, e nosso legado principal.