sábado, 5 de abril de 2014

SEGUIDORES E GUIAS


A moda atual entre internautas é ser, e, ter, seguidores numa rede social, tornando-se doravante, o número de seguidores, um critério para medir o sucesso desse alguém, travestido de guia. E, logo surge a possibilidade de uso desta facilidade como um instrumento de manipulação  para alavancar e/ou alimentar o ego de candidatos a celebridades, e, bem assim, para incrementar o mercado de consumo, que venha a se associar com a imagem do “guia”. Recentemente algumas destas figurinhas carimbadas da mídia, se gabavam de já ter ultrapassado de um milhão de seguidores, o que seria pitoresco, se não fosse verdade.
Ameaças e oportunidades. Os eventos recentes em nosso País, de contestação nas ruas, ilustram as oportunidades (voz popular de protesto contra a inoperância quando não, malversação dos serviços públicos), e as ameaças (atos de vandalismo, por contraventores infiltrados), fazendo uso da capilaridade das redes sociais. Neste ínterim, duas são aqui destacadas:
Por um lado a tentação que ficou conhecida como seguidores com mentalidade de rebanho. A expressão ficou associada com o filosofo Friedrich Nietzsche, diz respeito ao seu “protesto contra a ação do Estado, seu desagrado pelo negligente comportamento social da comunidade, depreciativamente chamado de “mentalidade de rebanho", sua desconfiança do efeito do mercado e do Estado na produção cultural, seu desejo por um "Übermensch" - isto é, por um homem novo que não fosse nem mestre nem escravo” (por ironia, esta crítica a um espírito de seguidor subserviente, foi associado, de forma distorcida, com o nazismo). Esta tentação é magistralmente explorada no filme “A Onda”, “onde um professor colegial  ministrando sobre autocracia, começa um experimento para mostrar o quão fácil é manipular as massas. “Ele começa exigindo que todos os alunos se refiram a ele como " Senhor”,  e muda as carteiras de lugar, de modo que todas elas fiquem de frente para ele. Além disso, todo aluno que queira fazer alguma colocação deverá se levantar e dar respostas curtas. O professor também mostra aos alunos como uma marcha executada com perfeita sincronia rítmica entre os alunos pode fazer com que se sintam parte de uma única entidade. Por fim o professor sugere que todos os alunos do grupo devem vestir uma camisa branca e calças jeans, para que não haja mais distinções entre os alunos e unir ainda mais todos eles. O grupo começa então a perceber mudanças em seu comportamento. Criam também um símbolo, que é espalhado na forma de adesivos ou pichações por toda a cidade. Além do nome, o grupo cria uma forma de saudação, que consiste em imitar o movimento de uma onda com o braço direito em frente. Criam também um símbolo, que é espalhado na forma de adesivos ou pichações por toda a cidade.  O filme mostra de forma contundente, como as massas podem ser manipuladas”, numa referencia clara aos movimentos autocráticos, que a História registra.
De outro lado, temos a tentação de guias cegos, que Anselmo Grün, falando sobre os demônios da vaidade e do orgulho, que também nos assediam, assim comenta: “consiste em assumirmos o papel de mestres , embora nós mesmos tenhamos ainda pouca experiência. É o perigo da inflação, como com tanta freqüência é descrita por Jung. Sentimo-nos como profetas ou como reformadores do mundo, achamos que nossas próprias idéias e palavras são de importância decisiva para a salvação do próximo”. Alguém já disse que todo mundo quer ser rei, e, todo rei quer ser deus. Aqui encontro na vida do Rei pastor Davi, mencionado na Biblia, um contra-exemplo para este vício, e, que o celebrado autor Eugene Peterson, em seu titulo “Transpondo Muralhas”, assim comenta: “A ascensão de Davi foi concluída; começa seu reinado. As palavras proferidas nesse inicio são bem significativas: “Tu hás de pastorear Israel, o meu povo, e serás o seu governante”. “Com estas palavras, Davi, o pequeno pastor de Belém se torna o grande rei pastor de Israel. A designação de rei é empregada à vontade por toda a narrativa bíblica, mas não aqui, onde é significativa a preferência pelas palavras pastor e governante ou príncipe. Príncipe (Nagib em hebraico), em vez de rei, porque Israel havia acabado de experimentar uma forma abusiva de governo com o rei Saul. Davi é identificado como alguém igual a eles, que simplesmente galgou maior posição: Somos sangue do teu sangue. Não seria um governo imposto de fora, mas desenvolvido interiormente. O pastor é alguém que vive junto ao rebanho e cuida dele; o príncipe é alguém que emerge da comunidade e a lidera. Espera-se que o governo de Davi se desenvolva mantendo seus instintos pastorais e sua capacidade de liderança quando jovem. Espera-se que o governo de Davi se desenvolva preservando a sensibilidade para com as necessidades da comunidade, o que ele cultivou no deserto. Ao assumir  Davi o seu reinado sobre Israel e Judá, o que os líderes estão lhe dizendo, na verdade, é: seja nosso príncipe: não se transforme num rei com ânsia de poder, que imponha sua vontade à força sobre o povo. Seja nosso pastor: não se transforme num rei levado pelo próprio ego, que use o povo como pasto para alimentar sua auto-importância. Davi fez o que lhe pediram. Uma das principais provas é o Salmo (do pastor) 23”.
O paradigma do verdadeiro Guia, que cuida dos seus seguidores, é apresentado na Biblia:”...Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes...Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas.Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas.Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido. Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas”. (Palavras de Jesus Cristo, conforme registradas no Evangelho de João). 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A DIFERENÇA QUEM FAZ ?



Que diferença faz cada novo dia acrescentado à nossa existência? É uma pergunta que reiteradamente também me faço, mormente agora, tendo chegado aos 66 anos, e, relembrando, com pesar, quantos parentes e amigos, que já encerraram seu jornadear nesta vida. Neste sentido, identifico ainda, pelas biografias publicadas, alguns que fizeram a diferença durante uma existência até muito mais curta. A constatação também, de algumas vidas vazias e superficiais de quem, não obstante, pode ter feito algum sucesso efêmero, pelos padrões culturais correntes, mas visto na linha do tempo, não fizeram mesmo a diferença, positiva. E, os desfechos trágicos daqueles que sucumbiram ao apelo enganoso do suicídio ao abreviar seu tempo de vida.
O tempo de vida é o recurso verdadeiramente escasso, e, que não obstante pode variar de poucos anos, para alguns, a muitos anos, para outros. Alguém já disse que é este o recurso mais precioso que temos, e ao longo da vida, crescentemente escasso - até mais do que o dinheiro - e, sobre o qual, em última instância, não temos absoluto controle. Num boletim da Igreja recém, nosso pastor Juarez Marcondes, levanta a questão pertinente: “quanto custa o tempo? Num mundo que em tudo se coloca um preço, muitas vezes, olvidamos o valor do tempo. Só nos damos conta deste esquecimento quando reconhecemos que o tempo está passando depressa demais. Em outras palavras, não estamos usando o tempo como deveríamos”. Neste sentido, alguns vivem para acumular cada vez mais dinheiro, na ilusão que passarão assim a viver sem problemas, doravante; esquecem que a riqueza é passageira, e não nos torna totalmente imunes às doenças, e, à morte. Outros são do tipo que vivem correndo atrás dos prazeres, como se tudo se resumisse só em divertimento, esquecendo que a alegria é passageira, e, costuma acabar antes da festa terminar. Outros buscam desesperadamente se apoiar nas suas amizades, para logo se frustrarem, quando os conflitos naturais aparecem. Outros vivem sempre em estado de alerta, competindo de forma ininterrupta e desgastante, para no final serem suplantados. E, remanesce a questão: será que a vida é só isso? Por fim, numa avaliação de como estamos usando o tempo, podemos especular o que acharíamos de ter uma existência como esta, prolongada, indefinidamente à eternidade? muito provavelmente, uma resposta séria é que seria afinal indesejável como tal.
A diferença quem faz, aqui, mede-se pelo que se acrescenta de positivo ao patrimônio comum da humanidade, em termos de valores e realizações que verdadeiramente edificam. É limitada pela duração de uma vida, e geralmente se circunscreve a ações num período muito mais curto, mas cujos resultados transcendem em muito o tempo de sua realização. A diferença quem faz, diz respeito exatamente ao uso nobre que se faz do tempo de vida, na contramão do laissez faire, da acomodação, do lugar comum, da negatividade.
Quem não faz diferença: para o egoísta, tudo gira em torno dele mesmo; são amantes exclusivamente de si mesmos, em detrimento dos interesses alheios. Seu lema é “isto é meu, e eu não divido com ninguém”. São ainda presunçosos, arrogantes, jactanciosos, pedantes, soberbos - aquele que se julga melhor que os demais, e, dependentes  compulsivos dos prazeres (lascivos, pervertidos). Assim como na oração do fariseu: “Dois homens subiram ao templo, para orar; um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano.Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo.O publicano, porém, estando em pé, de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito,dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” Lucas 18:10-13. Para os avarentos, tudo gira em torno do dinheiro que possam acumular. São amantes exclusivamente do dinheiro, a que idolatram. Jesus conta uma parábola do rico insensato: “E disse-lhes:  Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui. E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância; E arrazoava ele entre si, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga.Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus”. Lucas 12:15-21. O apostolo Paulo também dá algumas das características dos homens nos últimos tempos (que incluem os últimos 2.000 anos): ... avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons,traidores, obstinados, orgulhosos, ... tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela”. 2 Timóteo 3:1-5.
Quem faz a diferença, positivamente. Esta diferença pode ser motivada por um sentido de vocação, que enseja a oração sincera a Deus:De que me valerá ter vivido, a não ser que prolongues minha vida até que eu haja concluído a trajetória da minha vocação.” O sentido de vocação é objeto da “Teoria da semente de carvalho” ( “O Código do Ser”, de Hilmann) que propõe que “cada vida é formada por uma vocação que é a sua essência, que a leva para um determinado destino. Assim como o destino de um imenso carvalho já está escrito em sua pequena semente, do mesmo modo o ser humano traz, em si, as marcas do que há de desenvolver; um sentido de vocação pessoal, de que existe uma razão para eu estar vivo. Esta teoria sustenta que cada pessoa tem uma singularidade que pede para ser vivida e que já está presente antes de poder ser vivida”. Quando envolvido numa ação deste tipo, a pessoa sente-se engajada no desdobramento criativo de algo maior. Mais comumente, no sentido aqui compartilhado, esta diferença, não está necessariamente atrelada a um sentido de vocação, estando mais próximo de ações comuns, realizadas contra a corrente dos acontecimentos, mormente em ambientes bastante desfavoráveis. Neste contexto existem muitos anônimos enquanto vivos, mas que não obstante a posteridade confirma que sim, fizeram a diferença. Como Anne Frank, uma adolescente comum alemã, de origem judaica, vítima do Holocausto, e, que morreu aos quinze anos de idade, em um campo de concentração, durante o reinado de terror do nazismo. Ela permaneceu por dois anos escondida num sótão, até que, em 1944, um delator desconhecido revelou o esconderijo às autoridades nazistas. O grupo foi, então, levado para campos de concentração. Anne Frank e sua irmã Margot foram transferidas para o campo de concentração onde morreram de tifo, em março de 1945. Sua sobrevivência em condições extremamente críticas, uma criança de menos de quinze anos, vítima indefesa, em meio à brutalidade e a prepotência elevada ao máximo, mas sem se entregar ou desesperar, foi um testemunho gritante de alerta para a posteridade contra um regime absolutista, cultuador e fomentador do ódio, e que passou à história como o pesadelo nazista que assombrou à humanidade.
Os cristãos são vocacionados para fazerem a diferença, positivamente, conforme expresso nas metáforas de Jesus, comparando-os ao sal da Terra (que lhe dá sabor), e a Luz do Mundo (que ilumina o caminho para os outros). Também em seu brilhante sermão, identificou algumas características daqueles – a quem considerava  felizes – vocacionados, para fazerem a diferença: são reconhecidos pela humildade, pela simplicidade; são os pobres de espírito, os que choram, indefesos, vulneráveis. Assim, como na oração de São Francisco de Assis mencionada no inicio, que descreve bem a conduta de quem realmente faz a diferença.


domingo, 19 de janeiro de 2014

NOVO CURRÍCULO DE VIDA ou CURRÍCULO DE VIDA NOVA

NASCIMENTO:nascido de novo, ou nascido espiritualmente, como alvo de regeneração (gerado de novo), por obra sobrenatural, e, graça do Espírito Santo, que também veio habitar em mim, em algum momento desde o nascimento natural, e, doravante, vivendo uma vida que se estende pela eternidade, quando terei inclusive um nome novo - “... e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe”, Apocalipse 2:17
QUEM SOU: por conta de ter nascido de novo,
Sou nova criatura (nova pessoa) - Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” , 2 Coríntios 5:17.
Sou filho de Deus (Deus espiritualmente é meu Pai) - Mas, a todos quantos o receberam (a Jesus Cristo como seu salvador e senhor), deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome (que Ele também é Deus)”, João 1:12.
Sendo filho, também  sou herdeiro de Deus, co-herdeiro com Cristo, participando de sua herança E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo”, Gálatas 4:6-7.
Sou cidadão do Céu - “Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, Filipenses 3:20.
Sou a expressão da vida de Cristo, porque Ele é a minha vida -Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória”, Colossenses 3:4
ESTOU EM FASE DE CONSTRUÇÃO, de crescimento espiritual, tendo como modelo a vida do próprio  Jesus Cristo:
Na economia da salvação, depois do acontecimento de “nascer de novo”, sou chamado para o processo de santificação (1) –Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo”,  1 Pedro 1:16. ”E ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo, e vos separei dos povos, para serdes meu”, Levítico 20:26.
Deus é o agente primário da minha santificação porque me deu um novo coração para que pudesse me voltar para Ele - E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.1 Tessalonicenses 5:23.
Quando o faço, em sinergia com a ação de Deus, torno-me agente da minha própria santificação, e meu coração é conformado à imagem de Deus; é no coração que a mente, emoções e vontade são unidas numa vida centralizada em Cristo. Quando volto meu coração para Deus, começo a amar a Ele e aos outros.  - Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna...”, Romanos 6:22-23.
Doravante estou sendo tansformados pela renovação da mente (2) -  “E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”, Romanos 12:2. “Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo;” 2 Coríntios 10:3-5.
Neste ínterim, em meu coração trava-se uma luta renhida entre a minha velha natureza corrompida pelo pecado, e a nova natureza regenerada (3)
O QUE FAÇO. Minhas ações decorrentes do que sou, e do que estou sendo transformado no processo da santificação:
Sou feitura de Deus, criada (nascido de novo) em Cristo, para fazer sua obra que Ele programou de antemão para eu fazer - Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas”, Efésios 2:10.
Sou escolhido e designado por Cristo para dar fruto - Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda”, João 15:16 .
Sou templo (morada) de Deus, para que Seu Espírito habite em mim -Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” 1 Coríntios 3:16. “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?”, 1Coríntios 6:19.
Sou servo da justiça, para praticá-la - “...E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça”, Romanos 6:18.
Na dimensão comunitária, sou membro de uma raça eleita, para anunciar as grandezas divinas - Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”.1 Pedro 2:9-10 .
Também faço parte de um corpo de pessoas chamadas para fazer a diferença no seu próprio dia a dia, como sal da terra  e luz do mundo (4)  Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens, Vós sois a luz do mundo; ... Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”,Mateus 5:13-16.

P.S. esta é a identidade de um verdadeiro cristão, e, como tal, desejamos que também possa ser testificada a nosso respeito.
Obs.
  1. Salvação não é acréscimo; é transformação radical. Quando nascemos de novo espiritualmente, ocorre uma transformação maior do que aquela que ocorrerá quando morremos fisicamente. Antes de nos converter a Cristo, nossas mentes foram programadas para viver independentes de Deus. Na santificação, progressiva, temos de assumir a responsabilidade na reprogramação de nossas mentes para a verdade da Palavra de Deus.
  2. Esta experiência é também comparada com conquistar  fortalezas, que são raciocínios e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus. Fortaleza é um padrão negativo de pensamento, marcado a fogo em nossas mentes, seja por reforço do hábito, ou devido a certos traumas que vivenciamos. Nossos temperamentos e personalidades estão basicamente estabelecidos quando chegamos aos 6 anos de idade. Juntamente com as experiências prevalecentes que tivemos, o segundo maior fator a contribuir para o desenvolvimento de fortalezas são as experiências traumáticas que eventualmente vamos acumulando ao longo da vida.
  3. A santificação é um processo que envolve um conflito na alma, ensejando uma batalha diuturna entre a velha e a nova natureza; por um lado, devemos mortificar a velha natureza (inclinações ainda latentes na alma corrompida pelo pecado, que se compraz nos prazeres da carne, tais como: adultério, fornicação, impureza, lascívia,Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias,Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas Gálatas 5:19-21),e, por outro lado, temos a necessidade de vivificação do novo homem (a nova natureza se compraz com os frutos do espírito que são: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança, Galátas 5.22). A santificação é uma experiência de limpeza do coração, sem a qual ninguém verá a Deus - Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação”, 1 Tessaloicenses 4:7. Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus", Mateus 5:.
  4. Sal e a luz são metáforas que denotam nossa influência para o bem no mundo. A Igreja foi colocada no mundo com um duplo papel: como sal para interromper, ou pelo menos retardar o processo de corrupção social; e, como luz, para desfazer as trevas de uma mente entenebrecida pela sombra do pecado. A eficácia do sal é condicional: tem de conservar a sua salinidade; não obstante, pode ser contaminado pelas impurezas, tornando-se inútil e até mesmo perigoso. A luz por sua vez é um símbolo bíblico comum da verdade, e expressão generalizada que abrange qualquer manifestação visível da fé cristã.


Fontes: Biblia; “Santificação”, de Neil Anderson e Robert Saucy; “Contracultura cristã”, de John Stott.


quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

NATAL E A ALEGRIA DO NASCIMENTO


“A palavra natal do português, é derivada do verbo “nāscor”  que tem o sentido de nascer. Como festa religiosa, o Natal, comemorado no dia 25 de dezembro desde o Século IV pela Igreja ocidental e desde o século V pela Igreja oriental, celebra o nascimento de Jesus Cristo e assim é o seu significado nas línguas neolatinas”; é mesmo irrelevante se o mês e o ano na realidade, não coincidem exatamente com o institucionalizado pelos nossos calendários.
Natal é motivo de festa, comemoração e confraternização universal e transcendental: liga Céu e Terra, vivos e mortos, passado, presente e futuro!. O anúncio do nascimento de Jesus é a maior boa-nova (= evangelho) que a humanidade já recebeu: hoje vos nasceu, na cidade de Davi, um salvador que é o Cristo Senhor”. Comemora a encarnação da Segunda Pessoa da Trindade Santa, que é também Deus. É uma ocasião de intensa alegria; um dos cânticos natalinos mais populares na atualidade, tem os seguintes versos destacados: Noite feliz, noite feliz / Ó senhor, Deus de amor/ Pobrezinho nasceu em Belém / Eis na lapa, Jesus nosso bem / .../ Ó Jesus, Deus da luz / Quão afável é Teu coração / Que quisestes nascer nosso irmão / E a nós todos salvar / Eis que no ar vem cantar / Aos pastores os Anjos dos Céus / Anunciando a chegada de Deus / De Jesus, Salvador!”. Na continuidade esta vida singular, passou a ser conhecida como o Deus infante, o Deus menino, e a figura consagrada do Jesus adulto, até sua crucificação por volta dos 33 anos de idade, culminando a vida terrena com a Sua ressurreição, e ascenção, retornando aos Céus, onde assentou-se à direita de Deus Pai. Confraternização universal, pois inclui pessoas de todas as raças, tribos e nações, homem, mulher ou criança, seja rico ou seja pobre. Uma boa nova que já se realizou, e não deve ser considerado como ainda a ocorrer num futuro distante.
Reações singulares: manifestação da Natureza, com a Estrela de Belém, na tradição cristã também chamada de Estrela de Natal , e, que revelou o nascimento de Jesus aos magos e, posteriormente, os guiou até Belém. Celebração também de uma criancinha (João Batista), quando ainda no útero materno (“E, naqueles dias, levantando-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá, E entrou em casa de Zacarias, e saudou a Isabel. E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre...”). Manifestação no Céu, onde foi saudado por um coro formado por uma grande multidão de Anjos “...louvando a Deus e dizendo:Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens!”.
Reações na Terra, entre os homens: Os magos (sábios) do Oriente, guiados pela estrela de Belém, logo partiram numa longa viagem para ver de perto e adorar o nascimento de um verdadeiro Rei. Os pastores, de imediato saíram para compartilhar a boa nova anunciada pelos Anjos. Os ouvintes dos pastores, ficaram admirados . A Biblia registra também alguns cânticos inspirados de louvor e saudação, como de Izabel, prima de Maria – “...e Isabel foi cheia do Espírito Santo. E exclamou com grande voz, e disse: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre.E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?Pois eis que, ao chegar aos meus ouvidos a voz da tua saudação, a criancinha saltou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada a que creu, pois hão de cumprir-se as coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas”); de Maria, mãe de Jesus (Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, E o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador; Porque atentou na baixeza de sua serva; Pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada, Porque me fez grandes coisas o Poderoso”); de Simeão (“Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, esperando a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. E fora-lhe revelado, pelo Espírito Santo, que ele não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor. E pelo Espírito foi ao templo e, quando os pais trouxeram o menino Jesus, para com ele procederem segundo o uso da lei, Ele, então, o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse: Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, Segundo a tua palavra; Pois já os meus olhos viram a tua salvação, A qual tu preparaste perante a face de todos os povos;Luz para iluminar as nações, E para glória de teu povo Israel). Reação adversa e prepotente, do alarmado reizinho títere Herodes, cheio de ira, e manifestando seu instinto assassino.
A boa nova do Natal de Jesus, e, a benção do “novo nascimento”. A Bíblia revela que, em decorrência do pecado, todos nascemos já espiritualmente mortos. Conforme explicita John Piper, em seu instigante livro “Finalmente vivos, o que acontece quando nascemos de novo?”, “o novo nascimento é a ação do Espírito Santo unindo o nosso coração morto e egoísta ao coração vivo e amoroso de Deus, de modo que a vida de Deus se torna a nossa vida, e o amor dEle se torna o nosso amor”. E, ainda, resume “O que acontece no novo nascimento não é a obtenção de uma nova religião, e sim de uma nova vida. O que acontece no novo nascimento não é meramente uma afirmação do caráter sobrenatural  de Jesus, e sim o experimentarmos o sobrenatural em nós mesmos. O que acontece no novo nascimento não é uma melhoria da velha natureza humana, e sim a criação de uma nova natureza humana – uma natureza que é realmente você, uma natureza perdoada, purificada, realmente nova, que está sendo formada pelo Espírito de Deus, que habita em você. Da parte de Deus, somos unidos a Cristo no novo nascimento, é isso que o Espírito Santo faz. De nossa parte, experimentamos essa união por meio da fé em Jesus. Um novo nascimento ocorre toda vez que alguém é unido a Cristo pelo Espírito Santo, e de sua parte experimenta doravante esta união por meio da fé em Jesus”. Resumindo: sem o Natal não haveria encarnação da Segunda Pessoa da Trindade; sem esta Encarnação não existiria morte vicária, condição necessária para remover nossos pecados, e, por conseqüência não haveria redenção para ninguém; sem redenção, e na nossa condição comum de pecadores (pelo que somos,  pelo que fazemos errado, ou quando deixamos de fazer o bem), não existiria salvação; sem salvação não existiria a viabilidade de novo nascimento; sem novo nascimento não haveria possibilidade de vida eterna, na companhia de Deus e dos Anjos. O nascimento de Jesus Cristo inaugura desta forma um novo tempo, um Kairós ( palavra da língua grega antiga que significa “o momento oportuno”, "certo" ou “supremo” ) para toda a Criação, e em particular para a humanidade, que passa a ter no novo nascimento seu marco zero da vida eterna. De outra parte, uma vez nascidos de novo, temos pela frente uma vida abundante e eterna, vivida desde já na esperança de um futuro onde não haverá mais choro, nem pranto, e com o último inimigo, que é a morte, definitivamente derrotada e afastada; quando reinará a paz também na Natureza, onde o animal outrora feroz, se deitará lado a lado o que era sua antiga presa. Onde libertos do poder do pecado, e de todas as vicissitudes dele decorrentes, cresceremos, todos os salvos, indefinidamente, em graça e conhecimento diante de Deus. Não obstante, assim como no passado houve insensibilidade de moradores e donos de pousadas em Belém, que negaram-lhe um lugar mais adequado para nascer, assim, também, é possível que, na atualidade, Ele não consiga nascer em nossos corações, porque este já está muito ocupado com nossas preocupações egoístas e muitas vezes mesquinhas. Mas temos notícias de que, cada vez que ocorre um novo nascimento, há comemoração entre os Anjos no Céu, distinguidamente para cada um, tal o valor considerado da pessoa na economia divina.
FELIZ NATAL JESUS CRISTO ! ao ensejo em que confraternizamos também com todos aqueles a quem o Nosso Senhor quer bem, e , concedeu-nos a graça de nascer de novo, para uma nova vida, abundante, que culminará na companhia por toda a eternidade, da Trindade Santa, dos Anjos, e, de todos os Santos.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

SOBRE A BUSCA DE DEUS, DA FELICIDADE, E, DO PRAZER


Como relacionar a busca de Deus com a busca da felicidade e do prazer? Comumente, achamos que a busca de Deus opõe-se, ou no mínimo, não implica na busca do prazer. A busca de Deus é associada com a prática de atos piedosos, nem sempre vistos como prazerosos, pelo menos para quem não os pratica. Ao contrário, o prazer é quase sempre identificado com a diversão, a conquista de poder e de prosperidade - medida pelo acúmulo de bens materiais - a realização de um bom casamento e ter uma família saudável, etc. E, assim na maior parte do tempo passamos a vida correndo atrás do prazer, e, alguns, com o coração dividido  com a busca simultânea de Deus, não raro, reduzida a uma expressão distorcida de religião que assegure uma vida melhor mas, futura. É possível mesmo observar-se o semblante mais carregado de alguns religiosos, curvados, quem sabe, sob o peso da cruz que têm de carregar, e, que se traduz, muitas vezes, pela renúncia dos prazeres deste mundo então corrompido.
De forma aproximada podemos identificar três atitudes paradigmáticas em relação ao assunto: os pessimistas (ou acomodados) para quem a existência é um erro, e que não vale a pena mesmo buscar corrigir seu curso natural; os que buscam desesperadamente obter o maior prazer possível das circunstâncias, e que ensejou o hedonismo (uma teoria ou doutrina filosófico-moral que afirma ser o prazer, o supremo bem da vida humana, e, que no Iluminismo passa a designar uma atitude de vida voltada para a busca egoísta de prazeres momentâneos); e, os santos que descobriram um prazer imenso na busca de Deus.
Citações de como alguns eruditos pensaram sobre essa questão nos permitem ir além do senso comum:
Blaise Pascal (1623 1662) foi um físico, matemático, filósofo moralista e teólogo francês. Pascal escreveu: Todas as pessoas buscam a felicidade. Não há exceção para isso. Sejam quais forem os meios diferentes que empreguem, todos objetivam esse alvo. A vontade nunca dará o último passo em outra direção. Esse é o motivo de cada ação de todo ser humano.
O homem já teve a verdadeira felicidade, da qual agora resta nele apenas o sinal e o espaço vazio, que ele tenta em vão preencher com as coisas ao seu redor, procurando em coisas ausentes a ajuda que não obtém nas coisas presentes. Essas, porém, são todas incapazes, porque o abismo infinito pode ser preenchido somente por um objeto infinito e imutável, ou seja, apenas pelo próprio Deus.
C.S. Lewis ( 1898   1963), foi um professor universitário, teólogo, poeta e escritor britânico, nascido na Irlanda. Destacou-se pelo seu trabalho acadêmico sobre literatura medieval e pela apologética cristã que desenvolveu através de várias obras e palestras. É igualmente conhecido por ser o autor da famosa série As Crônicas de Nárnia. “No que lhe dizia respeito, buscar a própria felicidade não era pecado; é um traço comum da natureza humana. É uma lei do coração humano, assim como a gravidade é uma lei da natureza. Se hoje a noção de que é errado desejar a nossa felicidade e esperar ansiosamente gozá-la esconde-se na maioria das mentes, afirmo que ela surgiu em Kant ou nos estóicos, mas não na fé cristã. Na realidade, se considerarmos as promessas pouco modestas de galardão e a espantosa natureza da recompensas prometidas nos Evangelhos, diríamos que nosso Senhor considera nossos desejos não demasiadamente grandes, mas demasiadamente pequenos. Somos criaturas divididas, correndo atrás de álcool, sexo e ambições, desprezando a alegria infinita que se nos oferece... Contentamo-nos com muito pouco”.
John Piper (1946) que é na atualidade, um dos mais influentes pregadores batistas calvinistas e autores do século XXI. Em seu livro “Teologia da Alegria”, republicado com o titulo “Em busca de Deus”, descreve a busca do maior prazer possível, que é “o prazer cristão, uma filosofia de vida baseada nas cinco convicções seguintes:
- o anseio por ser feliz é uma experiência humana universal, e é algo bom, não pecaminoso;
- jamais devemos tentar negar ou resistir ao nosso anseio por ser felizes, como se isso fosse um impulso mau. Pelo contrário, devemos tentar intensificar esse anseio e alimentá-lo com tudo que proveja a satisfação mais profunda e permanente;
- a felicidade mais profunda e permanente encontra-se apenas em Deus. Não com origem em Deus, mas em Deus;
- a felicidade que encontramos em Deus atinge sua consumação quando compartilhada com outros nos multiformes caminhos do amor;
- na mesma medida em que tentamos abandonar a busca do prazer próprio, deixamos de honrar a Deus e de amar as pessoas. Ou, para usar termos afirmativos: a busca do prazer é parte necessária de toda adoração e virtude.
Ou seja, o fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus ao gozá-lo plena e eternamente.”
E completo com o pensamento do eminente rabino Joshua Heschel ( 1907-1972) que descreve o fim desta busca de Deus, nos seguintes termos superlativos:  “a percepção da grandiosidade”, “o sentido do inefável”, “o deslumbramento”, “o sentido do mistério”, “o temor reverencial”, “a reverência e a adoração”, “a intuição, a fé, o acontecimento”. Creio ser este um bom termômetro da verdadeira busca de Deus, e que se traduz também na maior felicidade, e no mais pleno prazer.

Fonte: “Em busca de Deus”, de John Piper

terça-feira, 5 de novembro de 2013

CEM ANOS DE COMUNHÃO


Contrapondo-se aos “CEM ANOS DE SOLIDÃO”, best seller de Gabriel Garcia, em nossa família estamos comemorando CEM ANOS DE COMUNHÃO, de tia PEDRONILA ! Mais do que uma vida longa, é também a marca de uma vida com o selo de qualidade da vida abundante. Nascida em uma familia já grande, em que se inclui nosso pai, os Tios Abner e Pedronila, também foram pródigos em obediência ao mandato “crescei e multiplicai-vos”, e, que se traduziu em dez filhos. Na continuidade, juntamente com os conjugues, netos, e bisnetos, hoje já são tantos, que a Edna ainda está contando para nos passar o número, que na realidade diz muito pouco, sendo mais oportunamente destacado no site Geração Pedraguda, emoldurado por gente bonita e promissora, tendo como ponto de partida, uma história de amor verdadeira, que, há muito tempo atrás, uniu pelos laços do matrimônio, e que alcançam a eternidade, os referidos tios. A rigor, a história começa antes, em torno de uma casinha quase no meio do mato, tendo ao fundo o marco da Pedraguda, um símbolo forte do nordeste brasileiro, onde viveram vô Dorinha e vó Santa, que, infelizmente tivemos pouco contato, mas destacamos aqui, a sabedoria na escolha dos nomes dos filhos, dentre os quais citamos nosso saudoso pai Filadelfo (= amigo do irmão; exemplarmente vivenciado na grande comunhão com a irmã Pedronila), o tio Péricles (= aquele que tem muita glória), e a tia Pedronila que imaginamos  ser uma junção de Pedro (= rochedo) + Nila (trabalhador incansável, muito dinâmico, inteligente e criativo, possui muita disciplina e está sempre disposto a colaborar sem outra intenção que não seja a de ajudar os outros. Com sua praticidade consegue executar quaisquer tarefas cansativas e monótonas, daquelas que a maioria das pessoas costumam recusar). Isto posto, podemos dizer hoje, que estas escolhas só poderiam ter partido mesmo de um espírito sábio, que desta forma, sonha alto, para não dizer que também deseja o melhor para seus filhos.
Cremos também que já tem algum Anjo atarefado escrevendo no Livro da Vida a história de uma mulher humilde, valorosa, com o tempero e a fibra nordestina, (especulamos se o  nome já não venha influenciado pela  firmeza da Pedraguda), e com um destino glorioso, que lhe está reservado desde a eternidade, e, para o qual deseja ter a companhia de toda a família. Desejo inclusive, de que estes cem anos, sejam apenas a avant-premiére de uma vida futura, doravante sem fim, na comunhão com Deus e com a bonita família que lega à posteridade. Ficamos pensando o orgulho da tia, pela quantidade, e, sobretudo pela qualidade da herança santa, que é a família, por quem continua, fielmente, intercedendo na presença de Deus. Podemos até imaginar que, com tanta gente assim, fique tentada até mesmo querer fazer algum pedido a Jesus, seguindo o exemplo da mãe dos discípulos Tiago e João (de que os mesmos sentassem um à direita e outro à esquerda do Trono, com a instalação do Reino de Deus); assim por exemplo, a Maria Elza daria uma boa decoradora na Corte Celeste e, Nozinho para o Ministério da Cultura das Flores.
Uma característica da Tia é sua alegria permanente.  Alegria que se baseia na promessa de que Deus é suficientemente forte e sábio para fazer todas as coisas cooperarem para o nosso bem. Alegria do amor que transborda para outras pessoas. Algum sábio já disse, que, quem ama se alegra na alegria da pessoa amada, se compraz em causar e contemplar alegria nos outros,  sofre pela alegria,e, tem a alegria duplicada na alegria buscada do outro, o que às vezes pode até soar como insistência. Alegria em particular da salvação, que não busca simplesmente integrar-se numa igreja, mas antes experimentar a força que tem a fé para dar sentido e esperança à vida. Àqueles eventualmente  ainda céticos, lembramos aqui, por oportuno, a “Aposta de Pascal”, uma proposta argumentativa criada pelo filósofo, matemático e físico francês do século XVII, Blaise Pascal, sobre a existência, ou não, de vida eterna e suas respectivas consequências. Destacamos também, por ser um marco forte da genuína vida cristã, o exemplo de apego da tia à leitura da Bíblia, mesmo com dificuldade de visão. Leitura esta que transcende ao prazer de um bom livro, porquanto é iluminada pelo próprio Espírito de Deus, que assim, ainda hoje fala dentro de nós, de uma forma suigeneris, que produz não só conhecimento, mas antes, vida, e, vida eterna.
Trazemos também à memória, o testemunho de vida conjugal do tio Abner, seu fiel companheiro, já desfrutando da eternidade, e, também alvo desta homenagem, que, pela fé, tomou posse da benção do Salmo: “Bem-aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos! Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem. Tua esposa, no interior de tua casa, será como uma videira frutífera; Teus filhos como rebentos da oliveira, à roda da tua mesa. Eis como será abençoado o homem que teme ao Senhor”! James Houston, comentando este texto, nos informa que “a videira era o símbolo da fertilidade ou benção, portanto, uma esposa “frutífera” era uma benção para seu esposo, além de mãe de seus filhos. A oliveira, como a videira, simboliza longa duração, o que inclui bem-estar, felicidade e também filhos. Filhos são vistos como motivo de felicidade duradoura e, assim, são incluídos na visão da família feliz. “À roda da tua mesa” retrata toda refeição doméstica comum, com a família reunida, em outra divina celebração de alegria. “ Esta certamente foi a visão que embalou este sonho de amor dos Tios Abner e Pedronila.
Aos queridos primos ao congratular-nos por esta ocasião, tão carregada de emoção, destacamos  que, uma família que pode assim comemorar cem anos de uma vida tão carismática, certamente é uma família muito abençoada, e plenamente  vitoriosa.
Querida Tia PEDRONILA! nesta oportunidade em nome de todos que compõem o ramo Figueiredo-Amorim, da Geração Pedraguda, registramos com muito carinho, que a senhora também é a mais vívida recordação que Deus nos deixa, de nossos pais, pelo que somos também imensamente agradecidos, e irmanados com os primos, também podemos dizer, com muito orgulho, que pertencemos à esta família abençoada, que agora tem na senhora seu símbolo e expoente maior. E, juntamente com os primos, elevamos nossas preces, para que Deus continue prodigalizando em sua vida muita Paz, Saúde, e, mais Vida Abundante!
Sua benção Tia!
Dos sobrinhos Filadelfo, Péricles, Wanda Lucia, Carlos Alberto, Miguel Mitre e famílias.

Obs. A bela foto da Tia, que emoldura o texto, foi colhida do site GeraçãoPedraguda

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O PRAZER DO PERTENCIMENTO


Pertencer a um ou mais grupos de referência, não mutuamente exclusivos, é uma condição natural do ser humano, e motivo de prazer em nosso dia-a-dia. Faz parte do fenômeno da sociabilidade, a dimensão social característica do ser humano, e que traduz-se na nossa propensão para viver junto com os outros, e, comunicar-se, tornando-nos participantes das mesmas experiências e dos mesmos desejos, convivendo com outros as mesmas emoções.
Assim por exemplo, pertencer a uma torcida organizada de algum time de futebol está entre os destaques na atualidade, com cada vitória do nosso time sendo motivo de muita celebração coletiva. Pertencer a um determinado país, eventualmente é fonte de prazer, mormente quando estamos longe, o que se reproduz quanto à cidade e o estado em que nascemos. Num círculo mais próximo, podemos pertencer aos quadros de pessoal de uma renomada empresa, o que nos envaidece, e, é motivo de todo um desenvolvimento profissional. Ainda guardo com carinho um quadro singelo, comemorativo dos cinquenta anos da Eletrobrás, empresa pública, holding do Setor Elétrico Brasileiro, onde consta também nosso nome, em meio a todos os funcionários à época. Estamos também sempre envolvidos com grupos de amigos, formados ao longo da vida, onde se incluem aqueles, desde a infância, juventude, faculdade e trabalho, parceiros e/ou testemunhas solidárias de nosso jornadear de vida, e, que logo associamos com lembranças indeléveis de tempos passados e presente. Certamente que pertencemos a uma família, onde normalmente se constituem vínculos fortes e duradouros, que resistem mesmo à distância física. Nada substitui o lugar ocupado pelos laços de sangue, não obstante todos os ataques modernos que ensejam famílias desestruturadas pelos reveses da vida. Existe também um pertencimento ligado à menor célula da sociedade, que é a formada pelos conjugues, e, que pode ser emoldurada por declarações do tipo “eu sou da minha amada, e ela é minha”, e vice-versa.
Ocorre que também o próprio Deus tem prazer neste pertencimento. Assim, a essência do evangelho, é o anuncio dado pelo Anjo: “eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo; é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor”. Comentando o assunto, Lutero chama a atenção para que este é na verdade a essência dos Evangelhos, que é uma boa notícia, isto é, um presente maravilhoso de Deus. É uma dádiva gloriosa – uma criança, um filho! É uma dádiva pessoal – Ele nos foi dado, nos pertence, a todos nós! Nasceu para o nosso bem, e, com Ele tudo que ele conquistou na Terra é direito nosso, é nossa herança! Por isso a pregação se chama evangelho, o que significa uma boa noticia, que difunde alegria e consolo.
Em contrapartida a este pertencimento divino, também muitos, dentre os quais nos incluímos, pertencemos à família da fé, que traz um componente novo, qual seja a dimensão sobrenatural, institucionalizada na comunidade religiosa (a igreja). Batista Mondim, assim comenta este pertencimento: “No cristianismo, a dimensão social adquire um horizonte infinitamente mais vasto e profundo, porquanto ultrapassa os confins do tempo e abrange também a eternidade. No cristianismo, além da sociabilidade fundada sobre a razão, dá-se também uma sociabilidade baseada na graça: essa estabelece entre os crentes uma comunhão de vida, de intenções, de amor totalmente aplicada para fazer deles um só “corpo”, o “corpo místico de Cristo”. Os homens formam uma só familia, porque são filhos de um mesmo pai, Deus, e irmãos do Filho de Deus que se fez homem, Jesus Cristo”. E, este autor, cita ainda Santo Agostinho em sua abordagem da nossa dupla condição: de pertencermos à civitas terrena (cidade terrena,) e, simultaneamente, sermos cidadãos da civitas dei (cidade de Deus). Ocorre que enquanto a cidade de Deus, se fundamenta no amor de Deus, um amor de tal modo altruísta que não tema chegar ao sacrifício total de si mesmo, da própria vida, a cidade terrena é fundamentada no amor próprio, um amor totalmente cego, egoísta que chega até o ponde de desprezar e renegar a Deus.
Pertencer ao “Corpo místico de Cristo” deve estar no ápice do prazer do pertencimento. Deus deu Cristo à Igreja para Ele ser o cabeça de todas as coisas, e, muito particularmente colocou a Igreja como o “corpo místico de Cristo”. O Corpo porém só é formado quando muitos membros que têm o mesmo Espírito de Deus por dentro, se unem, e unindo uns aos outros formam o corpo. Por dentro temos, então, o Espírito, e por fora temos o Corpo (a igreja, relacionamentos, ...). Esta bela metáfora bíblica destaca então nosso pertencimento mútuo, e bem assim, a Deus, qual um corpo, sobre o qual o apostolo Paulo elabora: “Cristo é como um corpo, o qual tem muitas partes. E todas as partes, mesmo sendo muitas, formam um só corpo. Assim, também, todos nós, ..., fomos batizados pelo mesmo Espírito para formar um só corpo. E a todos nós foi dado de beber do mesmo Espírito. Pois o corpo não é feito de uma só parte, mas de muitas. Se o pé disser: “Já que não sou mão, não sou do corpo”, nem por isso deixa de ser do corpo. Se o ouvido disser: “Já que não sou olho, não sou do corpo”, nem por isso deixa de ser do corpo.Se o corpo todo fosse olho, como poderíamos ouvir? E, se o corpo todo fosse ouvido, como poderíamos cheirar?  Assim Deus colocou cada parte diferente do corpo conforme ele quis.  Se o corpo todo fosse uma parte só, não existiria corpo.  De fato, existem muitas partes, mas um só corpo.  Portanto, o olho não pode dizer para a mão: “Eu não preciso de você.” E a cabeça não pode dizer para os pés: “Não preciso de vocês.” O fato é que as partes do corpo que parecem ser as mais fracas são as mais necessárias,  e aquelas que achamos menos honrosas são as que tratamos com mais honra. E as partes que parecem ser feias recebem um cuidado especial, que as outras mais bonitas não precisam. Foi assim que Deus fez o corpo, dando mais honra às partes menos honrosas. Desse modo não existe divisão no corpo, mas todas as suas partes têm o mesmo interesse umas pelas outras. Se uma parte do corpo sofre, todas as outras sofrem com ela. Se uma é elogiada, todas as outras se alegram com ela.Pois bem, vocês são o corpo de Cristo, e cada um é uma parte desse corpo.”