quarta-feira, 16 de maio de 2012

+ QUE ORAR PARA VIVER é VIVER PARA ORAR +




A Biblia nos diz que fomos criados com o propósito de sermos companheiros de Deus. Ora, em qualquer relação de companheirismo, uma das condições básicas é a capacidade de podermos falar livremente, uns com os outros. No relacionamento com Deus, isto ocorre sobretudo na forma de  oração. Segundo o dicionário popular, “Oração é um ato religioso que visa ativar uma ligação, uma conversa, um pedido, um agradecimento, uma manifestação de reconhecimento ou ainda um ato de louvor diante de Deus. A oração (na crença cristã), é a comunicação e o fruto consciente do relacionamento com um Deus (que além de transcendente é também pessoal), e, durante o qual,  a pessoa louva, agradece, intercede pela vida de outro, pede bênçãos para  ele ou para outrem, e através desta comunicação pode desfrutar da presença de Deus . O propósito da oração seria então, o de obter para si mesmo e/ou para os outros, bênçãos e graças que Deus já estaria disposto a conceder, mas que deveriam ser solicitadas para serem obtidas.”
Assim no relacionamento com Deus, a oração deveria traduzir esta liberdade e alegria de comunicação, que caracteriza uma relação de amizade, e, que nos enseja vivenciar, então, todas as esferas da oração, ou mais mentalmente pensando em Deus, ou mais  emocionalmente amando a Deus.
Comumente, nós cristãos, temos concentrado nossas orações em pedidos dirigidos a Deus - por mediação de Jesus Cristo - no sentido de nos conceder a graça de viver bem, em paz, gozando de saúde, e desfrutando dos prazeres de uma vida saudável.
Destacamos aqui entretanto uma outra faculdade da oração, que é o privilégio de orar para que Deus faça a Sua vontade. Sua importância é acentuada se considerarmos que, assim, Deus aguarda que peçamos aquilo que Ele já deseja fazer:”Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos Céus.Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”. Comentando o assunto, Watchman Nee, destaca: “Podemos afirmar que esse é o seu princípio da ação. Desde a criação, Seu grande plano é agir em cooperação com o homem. Assim se define este serviço da oração: É Deus dizendo o que Ele deseja fazer, de modo que dois ou mais possam orar, expressando a vontade dEle. Tal oração não é pedir que Deus faça o que nós queremos, mas pedir-lhe que faça o que Ele já deseja fazer. Uma das condições  para que isso seja feito é harmonia (se dois de vós..., não é oração individual); eles precisam concordar, ou seja, precisam estar em harmonia, em plena unidade, como uma sinfonia executada por instrumentos musicais. E, outra condição é que essa harmonia não é um concordância momentânea a respeito de um determinado pedido, mas, antes,  precisa que as duas pessoas estejam sob o domínio do Espírito Santo. Isso quer dizer que sou levado por Deus a um ponto em que nego todos os meus desejos e quero somente o que o Senhor quer; uma outra pessoa, da mesma forma; e, eu e ela, ambos somos levados a um ponto em que há harmonia tal como a que existe na música.”
Certamente que a perspectiva de compartilhar de uma amizade tão ímpar é fonte de anseio por comunhão (ensejando ainda confiança e paz, quanto ao atendimento de  nossas necessidades); e, a possibilidade de ser habilitado para cooperar na consecução da vontade de Deus, é também fonte verdadeira de significado e transcedência, que, juntamente com a comunhão são os três anseios básicos de todo homem.

terça-feira, 1 de maio de 2012

O HOMEM, QUEM ELE É? - 2



Na 1ª parte publiquei alguns modelos que ajudam a compreender quem somos; como tal, são antes, tentativas de representação de uma realidade complexa, passíveis portanto de aperfeiçoamentos, ou mesmo substituição por novos modelos que venham a se mostrar mais úteis neste propósito. Nesta oportunidade, desejo registrar minhas crenças afins, naturalmente objeto de fé.
SOMOS CRIAÇÃO DE DEUS: Segundo a Biblia, Deus uniu o espírito, semelhante a Ele, com coisas materiais (“pó da terra”), criando algo novo, o ser humano. Não sabemos que tipo de criaturas Deus pode ter criado nos recantos longínquos deste universo, ou se criou outros mundos, em outras dimensões que, para nós, podem ser inimagináveis. E o homem passou a ser alma vivente; alma em grego é psyché, psique, isto é, a nossa parte psicológica. O homem tem, assim, duas partes principais: a material e a imaterial. Quanto à constituição da parte imaterial tem-se duas interpretações possíveis: alma/espírito como uma só coisa, e alma e espírito como duas dimensões distintas, sendo o espírito a esfera da comunhão com Deus. Neste contexto, o corpo, que é a nossa parte material, através dos sentidos, recebe “impressões”, isto é, informações que vêm do mundo físico e são levadas para a alma. E, na contramão, o corpo influencia o mundo ao nosso redor por meio de nossas “expressões”. Este homem, assim criado, gozava da comunhão com Deus, seu Criador. Não obstante ele quebrou esta comunhão, situação que a Biblia chama de “pecado original”, e, que ensejou a condição do homem estar doravante, separado de Deus;  posteriormente esta comunhão foi restaurada através de Jesus Cristo, que é Deus. Carnal, isto é, estar na carne, se refere a este estado do homem separado de Deus, vivendo unicamente por conta própria. O projeto original era, assim, da alma em comunhão com Deus, regendo o corpo, através da vontade, do intelecto e das emoções. Um termo afim, coração diz respeito à personalidade, caráter, ou vida interior do homem.
DEUS DOTOU-NOS DE DUAS CAPACIDADES/HABILIDADES: “Capacidade de percepção, ou entendimento, para discernir, ver e julgar; e, Capacidade de inclinação, na direção do que vê ou avalia; tanto pode ser de inclinação para aceitar, quanto para rejeitar o que viu. A palavra “afeição” refere-se à maneira em que algo nos afeta. E isto pode proceder de duas fontes: Deus, ou “nossa carne”. Na verdade, a apreciação ou inclinação da alma em direção a alguma coisa, caso seja intensa e vigorosa, é o que chamamos de afetos de amor, e o mesmo grau de rejeição e desaprovação é o que chamamos de afetos de ódio. São os afetos que motivam – dão sabor e colorido – aos atos humanos. A natureza humana é preguiçosa, a não ser que seja influenciada por afetos como amor, ódio, desejo, esperança e medo. Essas emoções são como fontes que nos colocam em movimento em todos os aspectos e ocupações da vida. Se fossem retirados, o mundo acabaria imóvel e morto. Os afetos motivarão a alma a buscar e a se apegar ao que vê, ou a afastar a alma e se opor o que viu. Amor, desejo, esperança, alegria, gratidão satisfação motivam a alma. Ódio, medo, raiva e sofrimento a se afastar. Alguns afetos são a mistura de duas reações”. (Jonathan Edwards).
NOSSA NATUREZA MORAL E O LIVRE ARBÍTRIO (de “Cristianismo Simples”, C.S. Lewis) O que distingue, essencialmente, o homem dos demais animais é a sua dimensão moral. No mundo, tudo se acha sob o domínio das Leis Físicas, e, exclusivamente o ser humano está sujeito ainda a uma outra Lei,  a Moral, ou Lei da natureza Humana, ou Regra do Certo e do Errado, mas, com uma grande diferença: um corpo material não pode escolher se obedece ou não à lei da gravidade, ao passo que o homem pode escolher se obedece, ou não, à lei da natureza Humana. A Lei Moral opera apenas na área do livre-arbítrio, e de tudo que decorre do livre-arbítrio. Quando se trata de seres humanos existem então, os fatos (o modo como os homens procedem na prática,) e existe algo mais, (o modo como poderiam proceder). É a Lei da inteligência, da liberdade, da escolha responsável. Opera com base na persuasão, e não na correção. Ela não obriga ninguém a nada, mas apresenta, à razão humana, os valores que devem ser preferidos, e as conseqüências das opões feitas. Ela opera através de motivações e governa por meio da razão.
Obs.  Pontos de vista sobre a moral do homem: perspectiva humanista (veio na onda do Iluminismo do século XVIII) – o homem é intrinsecamente bom, e tudo que precisa é ser ensinado;  perspectiva freudiana – faz dos instintos a base da nossa personalidade (sexo, fome, segurança e prazer são pressões que nos moldam); perspectiva materialista – o homem é produto do seu meio, e, nasce como uma tabula rasa, capaz de ser totalmente moldado pela sociedade em que vive; perspectiva cristã – o homem foi criado bom, fez uma opção equivocada, de independizar-se de Deus,  tornando-se doravante, por natureza, intrinsecamente propenso para o mal.
QUEM SOU EU ?  (Poema escrito dentro da prisão, de Dietrich BONHOEFFER, pastor, profeta que teve a coragem de denunciar e alertar sobre o perigo nazista que a tudo encobria; condenado à morte, suas palavras de despedida foram: “este é o fim, mas para mim é o começo da vida”).
Quem sou eu? Seguidamente me dizem
Que saio da minha cela
Tão sereno, alegre e firme
Qual dono de um castelo.
Quem sou eu? Seguidamente me dizem
Que da maneira como falo
Aos guardas, tão livremente,
Como amigo e com clareza
Parece que esteja mandando.
Quem sou eu? Também me dizem
Que suporto os dias do infortúnio
Impassível, sorridente e com orgulho
Como um que se acostumou a vencer.
Sou mesmo o que os outros dizem de mim?
Ou apenas sou o que sei de mim mesmo?
Inquieto, saudoso, doente,
Como um passarinho na gaiola,
Sempre lutando por ar, como se me sufocassem,
Faminto de cores, de flores, às vezes de pássaros.
Sedento por palavras boas, por proximidade humana,
Tremendo de ira a respeito da arbitrariedade e ofensa mesquinha.
Nervoso na espera de grandes coisas,
Em angústia impotente pela sorte de amigos distantes,
Cansado e vazio até para orar, para pensar, para produzir,
Desanimado e pronto para me despedir de tudo?
Quem sou eu? Este ou aquele?
Sou hoje este e amanhã um outro?
Sou porventura tudo ao mesmo tempo?
Perante os homens um hipócrita?
E um covarde, miserável diante de mim mesmo?
Ou será que aquilo que ainda em mim perdura,
Seja como um exército em derradeira fuga,
À vista da vitória já ganha?
Quem sou eu?
À própria pergunta nesta solidão,
De mim parece pretender zombar.
Quem quer que sempre eu seja,
Tu me conheces, oh, meu Deus,
Sou TEU.

domingo, 22 de abril de 2012

O HOMEM, QUEM ELE É ? - 1




SEIS ASPECTOS QUE, JUNTOS E INSEPARÁVEIS, E, EM INTERAÇÃO, COMPÕEM A “NATUREZA HUMANA: Pensamento (imagens, conceitos, julgamentos, conclusões) + Sentimentos (sensação, emoção) = Mente + Vontade (coração, escolha , decisão, caráter)= Alma (fator que integra os aspectos anteriores para formar uma vida) + Corpo (ação, interação com o mundo físico)= Ser Humano + Contexto social (relações pessoais e estruturais com os outros) = Pessoa completa. Pensamentos , sentimentos, corpo, contexto social, produzem impressões sobre a Vontade e a Alma. A Vontade e a Alma  por sua vez, produzem expressões na forma de ações. Mente é um termo psicológico, enquanto que cérebro é um termo fisiológico. É ao intelecto que o homem deve a sua faculdade de julgar, recordar, imaginar e raciocinar. Pensamento e Sentimento caminham sempre juntos. O pensamento traz coisas à mente de vários modos (incluindo a percepção e a imaginação); é o que permite à vontade (ou espírito) explorar além dos limites imediatos do meio em que vivemos e das percepções dos sentidos. A faculdade da emoção é o instrumento para os nossos gostos e antipatias. Nossa emoção produz dor, prazer, alegria, felicidade, animação, agitação, júbilo, estímulo, desalento, tristeza, pesar, melancolia, miséria, lamento, abatimento, ansiedade, zelo, frieza, afeição, aspiração, ambição, compaixão, bondade, preferência, interesse, expectação, orgulho, temor, remorso, ódio, etc. A vida no todo parece revolver grandemente ao redor dos  impulsos da emoção. Qualquer falta dela tornará o homem tão insensível como pedra. As várias expressões da vida emocional podem ser grupadas de três maneiras: emoções de afeição, emoções de desejo, e emoções de sentimento. A Vontade é o instrumento para nossas decisões e revela nosso poder de escolha. Ela manifesta nossa disposição ou indisposição: queremos ou não queremos. Sem ela o homem é reduzido a um autômato. A vontade de um homem pode ser tomada como seu verdadeiro ego, pois ela realmente o representa. Ela age pelo homem inteiro. Nossa emoção expressa simplesmente como sentimos; nossa mente apenas diz o que pensamos; mas nossa vontade comunica aquilo que queremos. Caráter é uma vontade relativamente constante.
MODELOS DA PSICOLOGIA. Estrutura da personalidade: psique; ego; consciência; inconsciente pessoal;  inconsciente coletivo. Freud (Ego-Id-Superego), e Jung (Arquétipos) elaboraram modelos, que destacam, além da nossa consciência, considerada apenas a ponta do iceberg da nossa psique, nosso inconsciente pessoal (Freud), e coletivo (Jung). Psique é como é como se denomina a personalidade como um todo, e, compreende tanto o campo da consciência quanto o inconsciente. O Ego confunde-se com a Vontade; é o centro da consciência, o sujeito de todas as adaptações do indivíduo ao meio, dos atos pessoais da consciência; compõe-se de percepções conscientes, recordações, pensamentos e sentimentos. É o vigia da consciência: a menos que o ego reconheça a presença de uma idéia, de um sentimento, de uma lembrança ou de uma percepção, nada disto pode chegar à consciência. É adquirido empiricamente durante a vida, e, se estrutura a partir do inconsciente, diferenciando-se e sempre se modificando no decorrer da vida, e,  jamais é um produto acabado. No dia-a-dia vemo-nos sujeitos a um grande número de experiências, a maioria das quais não se tornam conscientes porque o Ego as elimina antes que atinjam a consciência, pelo que o Ego fornece à personalidade identidade e continuidade. É graças ao Ego que sentimos hoje sermos a mesma pessoa de ontem.  A Consciencia é a única parte da mente conhecida diretamente pelo indivíduo; esta percepção consciente cresce diariamente por força da aplicação das 4 funções mentais pelas quais nos orientamos: uma que nos assegure de que algo está aqui (sensação); uma que estabeleça o que é (pensamento); uma que declare se isto nos é ou não apropriado, se queremos aceitá-lo ou não (sentimentos);e uma que indique de onde isto veio e para onde vai (intuição). Estas  funções mentais, combinam-se com 2 atitudes que determinam a orientação da mente consciente:  extroversão e introversão; a atitude extrovertida orienta a consciência pelo mundo externo, objetivo; a atitude introvertida orienta a consciência para o mundo interior, subjetivo. Destas combinações de funções com as atitudes, tem-se então os oito Tipos Psicológicos. O inconsciente pessoal diz respeito ao que acontece às experiências que não obtêm a aceitação do Ego; elas não desaparecem da psique, porque nada do que foi experimentado deixa de existir. Ficam, pelo contrário, armazenadas no que se denominou de inconsciente pessoal. A maior parte dos conteúdos  do inconsciente pessoal, são então os conteúdos rejeitados pela consciência, ao longo da vida pessoal de cada um. Este impedimento da consciência se dá através dos Mecanismos de Defesa, dos quais a Repressão é um exemplo. O inconsciente pessoal desempenha ainda um papel importante na produção dos sonhos. Jung concebe além do inconsciente pessoal, um substrato inconsciente mais profundo, que é comum a todos os seres humanos, que chamou de inconsciente coletivo.  No nosso processo de crescimento, herdamos padrões de estruturação da personalidade, nas diferentes fases da vida: a infância, a adolescência, relação conjugal, velhice, preparação para a morte. A estes padrões chamou de Arquétipos. Dentro do inconsciente há, assim, estruturas psíquicas, ou arquétipos, que são formas sem conteúdo próprio, que servem para organizar ou canalizar o material psicológico. A personalidade total ou psique, compõe-se assim de vários sistemas isolados, mas que atuam uns sobre os outros. Em vista de sua extensão interminável, o inconsciente, poderia ser comparado ao mar, e o consciente seria apenas uma ilha que se erguesse sobre o mar.
SUB-CONSCIENTE, NOSSO BANCO DE MEMÓRIA. O subconsciente ou o inconsciente é a área da alma onde cada experiência que a pessoa teve é armazenada em banco de memória como os computadores. Tudo que vimos, sentimos e percebemos desde o momento de nossa concepção até ao presente está ali. Na comparação da mente com um iceberg, a ponta que está de fora é a parte consciente, e tudo o mais, submerso é o inconsciente. A mente subconsciente tem muitas recordações doloridas, e muitas respostas do passado são reproduzidas no presente quando  alguém nos toca uma ferida psicológica. O subconsciente motiva nossas ações assim como a propaganda subliminar pode, sem que o percebamos, afetar nosso comportamento.
CONSCIENTE/ PRÉ-CONSCIENTE/ EU PROFUNDO. Josep Otón Catalán,  assim elabora sobre o assunto: “Na superfície de nossa personalidade está o consciente. É a parte de nós que atua e se expressa; mas o que diz e faz é variável. Suas decisões são provisórias. Muda com muita facilidade. É uma realidade efêmera e conjuntural. Alternam-se estados de ânimo contraditórios. Nossa atuação visível esconde uma realidade mais profunda, o pré-consciente. É a parte de nossa personalidade que dirige o consciente. É fruto da formação que recebemos. Quando nascemos era uma “tabula rasa”. Foi-se definindo ao longo de nossa existência. Nesse estão todos os condicionamentos que definem nossa personalidade caleidoscópica. O pré-consciente não é único. Em seu interior se encontram tendências contrapostas, frutos de concepções diferentes da realidade. Essas tendências lutam para poder dirigir o consciente. Nosso comportamento observável é o resultado do contato pré-consciente com a realidade. Os traços de nossa personalidade, aquilo que acreditamos ser, é a adaptação do pré-consciente ao meio em que está inserido. Agimos em função do pré-consciente.  No entanto, nós não somos nosso pré-consciente, ainda que nosso comportamento dependa dele. Há uma realidade ainda mais profunda e mais autêntica em nós. O consciente é a fachada do edifício; o pré-consciente a estrutura; e o eu profundo é o cimento. “
FENOMENOLOGIA DO HOMEM. Batista Mondim, em seu livroO homem quem ele é? “ faz uma abordagem do fenômeno humano sob os pontos de vista mais importantes, procurando ver antes de mais nada o que ele é: corporeidade, conhecimento, vontade-liberdade-amor, linguagem, sociabilidade, cultura, trabalho, jogo e religião (dimensões de homo somaticus, vivens, sapiens, volens, loquens, socialis, culturalis, faber, ludens, e religiosus).

domingo, 11 de março de 2012

VIVER OU NÃO VIVER (SIMPLESMENTE EXISTIR), EIS A QUESTÃO ! - 2





MAIS QUE SIMPLESMENTE EXISTIR. Viver com motivação certamente é fonte de prazer, e, faz de cada momento assim vivido, uma oportunidade de realização. A motivação se refere ao direcionamento do pensamento, da atenção, da ação a um objetivo visto pelo indivíduo como positivo. Esse direcionamento ativa o comportamento e engloba conceitos tão diversos como anseio, desejo, vontade, esforço, sonho, esperança entre outros. Sem motivação a vida parece estática, e monótona. Viver com significado, que independe das circunstâncias, conforme é testemunhado pelo consagrado psicólogo Viktor Frankl, criador da Logoterapia, ramo da psicologia alicerçada na busca de sentido:“a vontade de sentido está no centro do conceito de motivação; este conceito quer dizer que é profundamente inerente a todo homem uma tendência para o sentido, e a busca do sentido”. Viver com Felicidade, que outro autor de sucesso, identifica com o que chama de “experiências de fluxo, ou experiências ideais, que são as atividades descritas com as mais significativas, aquelas que quando executadas afastam preocupações e outros pensamentos. Pessoas em estado de fluxo sentem-se engajadas no desdobramento criativo de algo maior”. Motivação, significado, e felicidade nos termos indicados, estão entre as características de vida pelas quais todos nós ansiamos, e, sua vivência ainda que circunstancial, estão entre os momentos indeléveis, como sonho ou eco de uma vida autêntica, e fonte de inspiração de poetas, artistas, cientistas, etc. CARACTERÍSTICAS DISTINTIVAS DA VIDA ABUNDANTE. Muito além de simplesmente existir, é a vida abundante, prometida por Deus, que Ray Stedman em “A Dinâmica da Vida Autêntica” assim sumarizou: “satisfação é uma parte da vida que Deus tencionava que o homem tivesse... propósito, sentido, valor, realização ... qualidades como alegria, paz, amor, amizade, poder... todas essas coisas são aspectos da vida, e, no momento em que temos tais coisas, estamos vivendo. Certamente, foi isso que Jesus quis dizer quando afirmou: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.” Isso é Vida, com V maiúsculo. A vida plenamente vivida – amor, gozo, paz, paciência, mansidão, bondade, fé, benignidade, domínio próprio. Isso é vida!”. “MORTE É A AUSÊNCIA DESSAS QUALIDADES DE VIDA, OU O SEU OPOSTO. O que é a ausência do amor? Ódio. O que é a ausência de gozo? Infelicidade; desalento de alma. Portanto, medo, frustração, enfado, preocupação, inimizade, ciúmes, malícia, solidão, depressão, autopiedade, são característica da ausência de vida, e, assim sendo, são formas de morte. Não é preciso morrermos para experimentarmos tais coisas. Elas estão presentes em nossa experiência de seres vivos. Representam a morte em meio à vida.” Nestes termos, entre a vida e a morte, existe então a multidão dos mortos em vida. A ESSÊNCIA DA VIDA ABUNDANTE É UMA VIDA NOVA, de uma qualidade muito superior, sui generis, conforme descrita nos relatos bíblicos: “Jesus morreu por nós, para que possa viver em nós. É sua vida em nós que constitui o poder que nos capacita a viver a verdadeira vida cristã. Isso é a nova aliança. Que Ele, pelo Espírito Santo, pode realmente viver dentro de um ser humano e entrelaçar sua vida de tal forma com a daquela pessoa, que daí por diante as duas vidas devem ser consideradas como uma só. Fundamentalmente, é um acordo feito entre Deus e o homem pelo qual este receberá a vida e energia de que precisa, a fim de realizar aquilo que Deus deseja que ele realize”. Essa vida nova, que nenhum placebo de autoajuda propicia, é não obstante, permanentemente ameaçada, e, frequentemente sobrepujada, por uma inclinação ainda latente, para a velha natureza, centrada naquilo que chamamos de nosso ego. Mas, como disse Santo Agostinho, fomos feitos para desfrutar desta vida nova, centrada em Deus, e, só descansaremos quando pudermos repousar nEle. Sem esta companhia, desde já, a vida ao final se revelará insensata, fora do propósito original - do guia do fabricante - para o qual fomos criados, e, portanto, inautêntica, sem encontrar mesmo sentido e verdadeira motivação.
P.S. Seria muito bom, se, existisse um amigo verdadeiro, um amigo para sempre, e, se este amigo estivesse bem próximo quando estamos precisando de ajuda. Agora, se, este amigo é o próprio Deus, com quem posso compartilhar cada momento, e ser por Ele ajudado, posso afirmar que encontrei a fonte da felicidade; esta é a Boa Notícia (Evangelho) sobre a vida autêntica!

quinta-feira, 1 de março de 2012

VIVER OU NÃO VIVER (SIMPLESMENTE EXISTIR), EIS A QUESTÃO ! - 1

Expressões contemporâneas: “ Na lápide de muita gente deveria estar escrito: Morto aos 30 anos. Enterrado aos 60” (Nicholas Murray, escritor americano). Também, alguém já disse que “Os antigos persas acreditavam que os primeiros 30 anos deviam ser passados vivendo, e os últimos 40, compreendendo a vida”. Schopenhauer disse: “os primeiros 40 anos da vida nos dão o texto; os 30 restantes, o comentário do texto”. São expressões irônicas, para não dizer irreverentes, que destacam o desperdício do não viver, isto é, simplesmente existir.

Viver de verdade. Viver uma vida autêntica opõe-se ao não viver, simulacro de vida. A alegoria da caverna, idealizada por Platão, é uma exemplificação de como podemos estar inconscientemente vivendo na condição de escuridão que nos aprisiona, e sua libertação através da luz da verdade. “Na caverna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali. Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder mover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. Pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vêm de fora, de modo que os prisioneiros, associando-os, com certa razão, às sombras, pensam ser eles as falas das mesmas. Desse modo, os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade”. Por oportuno, a palavra “educação” vem do latim “ducere” significando “guiar”, conduzir, e o prefixo “e” significando para fora, assim educar = tirar para fora; tirar para fora da ignorância, do erro decorrente de sombras projetadas. Imagino que, dentre outras, são “cavernas” muito de senso comum e pensamentos alheios equivocadamente assimilados como verdadeiros, conformando nossas cosmovisões, e, bem assim, as raízes de amargura e frustrações alimentadas ao longo da vida que deformam nossas visões da realidade. Com a terceira idade e a aposentadoria, estou mais atento em identificar, e sair através da luz da verdade, destas “cavernas” de pensamentos e lugares comuns.

Viver no caminho. Uma das características da vida é o movimento, símbolo de dinamismo, o que pode ser ilustrado pelo ato de caminhar. Caminhar é também símbolo de esforço, que se contrapõe a preguiça, normalmente associada com imobilismo, mesmice. O crescimento é uma forma especial de movimento; há progresso. A vida autêntica é dinâmica, é movimento. Três comparações freqüentes de como vivemos a vida: como caminhantes, participantes, solitários às vezes, tais quais peregrinos (é reconhecido que peregrinar carece caminhar-se motivado "por" ou "para algo); como observadores, distantes, que vêem a vida passar da janela, sem interagir; e, mais recentemente, como telespectadores, observadores de 2ª mão, que seguem a lei do menor esforço, de deixar que outros pensem em seu lugar; poderiam relembrar a advertência de Sócrates, de que “uma vida irrefletida não vale a pena ser vivida”. Considero que meu tempo como telespectador está minimizado, mas confesso que ainda permaneço muito como observador em detrimento de caminhante.

Já os primeiros cristãos pensaram em sua relação com Jesus Cristo, o Senhor, como o Caminho, no qual deveriam andar, um rumo claro e definido para suas vidas. Jesus Cristo disse “Eu sou o caminho, a verdade e a vida...”, e, convidou seus seguidores a caminharem juntos com Ele (não fossem apenas ouvintes); que conhecessem a verdade (que os libertaria de uma vida inautêntica, de sombras da realidade); e, que tivessem vida autêntica (“ Eu vim para que tenham vida e vida em abundância”); e, ainda hoje Ele nos estende este mesmo convite. Creio que este convite eu já aceitei, e me encontro no Caminho.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A SABEDORIA DE ESCUTAR


A importância de escutar está implícita na metáfora desenvolvida e imortalizada pelo rabino Martim Buber, ao abordar a questão do relacionamento entre as pessoas. Segundo o mesmo, existe uma forma de encontro de pessoas vivas, se relacionando de modo a se conhecerem mutuamente; ambas se deixam influenciar através do dialogo, isto é pelo falar e escutar. A este tipo de relacionamento ele chama de Eu-Tu, para distinguir de um outro, mais próprio do relacionamento com um objeto, que por isso mesmo chama de Eu-Isso. Neste, a pessoa pode manipular o objeto. Ocorre que muitas vezes, tratamos as pessoas também desta forma objetivante, furtando-se ao encontro com o outro, eximindo-se portanto de escutá-la. Certamente que não se refere aqui a submeter-se à loquacidade daquele que só quer ter um ouvido à disposição, mas antes diz respeito ao anseio mais profundo das pessoas, em compartilhar aquilo que lhe é mais significativo. Ainda, segundo Buber, o mesmo se aplica ao nosso relacionamento com Deus.

O escutar permite-nos aprender com os outros, e inclusive, num efeito de sinergia, o conhecimento compartilhado pode ser mais do que a soma de conhecimentos de seus participantes. O escutar pode ser um serviço. O teólogo cristão Dietrich Bonhoeffer, destaca que “escutar é o primeiro serviço numa comunidade de fé. Portanto, é realizar a obra de Deus no irmão, quando aprendemos a ouvi-lo... Também existe a maneira de escutar a meio ouvido. A pessoa pensa que já sabe antecipadamente o que o outro tem a dizer. Isso é ouvir impaciente, desatencioso, que despreza o irmão... O sucesso de muitos psicólogos em nossos dias consiste exatamente na habilidade desenvolvida para escutar com seriedade, e saber que, muitas vezes, esta é a melhor maneira de ajudar alguém”.

Deus nos escuta. O mesmo teólogo destaca ainda que “é prova de amor de Deus para conosco que não apenas nos dá a sua Palavra, mas também nos empresta o seu ouvido“, fato este que a Biblia registra abundantemente.

Podemos também escutar Deus. O consagrado autor cristão Dallas Willard, em seu sugestivo livro “Ouvindo Deus”, registra que, dentre as muitas formas de ouvir Deus falar, uma das mais comuns é relatada na Biblia, numa conversa de Deus com seu profeta Elias:”Disse-lhe Deus: Sai e põe-te neste monte perante o SENHOR. Eis que passava o SENHOR; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do SENHOR, porém o SENHOR não estava no vento; depois do vento, um terremoto, mas o SENHOR não estava no terremoto;depois do terremoto, um fogo, mas o SENHOR não estava no fogo; e, depois do fogo, um cicio tranqüilo e suave”. É na forma de um cicio tranqüilo e suave – ou a voz interior ou interna, como também é chamada – que Deus costuma dirigir-se de forma individual aos que caminham com Ele em um relacionamento maduro e pessoal. É importante ter sempre em mente que a pessoa pode não ter consciência de estar ouvindo a voz, pois esta não precisa se estabelecer nos pensamentos. E também não é pré-requisito, para ouvir a voz, ter conhecimento de teorias ou doutrinas sobre ela. É ainda a que mais envolve as faculdades dos seres livres e inteligentes que se envolvem na obra de Deus, como seus colaboradores e amigos”. Remanesce a questão, “como podemos nos certificar de que estes não são apenas nossos próprios pensamentos? estudiosos falam dos três pontos de referência, também chamados de três lâmpadas, que podemos consultar para determinar o que Deus deseja que façamos. Essas lâmpadas são as circunstâncias, as impressões do espírito, e as passagens da Biblia. Quando as três apontam na mesma direção, sugere-se que tenhamos a certeza de ser aquela a direção que Deus planejou para nós.”

Ao longo da vida cristã, fiquei na expectativa de, um dia, ouvir Deus falar. Agora, pensando bem, consigo lembrar algumas oportunidades em que, hoje, creio, poderia ser Deus me falando. A sensação momentânea de agradável estranheza, e a percepção, ainda que a posteriori, de que algo incomum acontecera, é a marca que trago na memória. Acredito também, que esta deve ser uma experiência quase comum entre os cristãos.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

SER SENHOR OU ESCRAVO DE MEUS PENSAMENTOS: QUEM ESTÁ NO CONTROLE?


O RECURSO MAIS ESCASSO. Por ocasião da minha aposentadoria, um dos pensamentos que mais me fortalecia neste propósito, era utilizar mais plenamente o recurso mais escasso que dispunha doravante, a saber o tempo de vida, e, neste sentido, na medida das possibilidades, ocupar o tempo remanescente da melhor forma possível. Ocorre que nosso tempo de vida é ocupado por pensamentos, que no contexto, envolve intelecto, emoções e vontade, isto é, pensamentos que têm cores, sabores e odores. A importância de ter controle sobre os pensamentos é crítica, quando se considera que nossos pensamentos podem também controlar nossas vidas. Assim a qualidade da ocupação da mente é determinante da qualidade de vida, e como alguém já disse , “ você é o que você pensa”.

QUANDO NOSSOS PENSAMENTOS NOS CONTROLAM. Duas ilustrações: do “redemoinho ou turbilhão de pensamentos”, onde a mente desgovernada, fica inundada por pensamentos dispersivos, que deslizam sem parar; e, do buraco negro do pensamento único, recorrente, e obsessivo”, dos quais a mágoa, o medo e a raiva, são os exemplos mais evidentes. Sobre a mágoa, Fred Luskin em seu livro “O poder do perdão”, ilustra com a metáfora do controlador de vôo estressado: “imagine que suas mágoas não resolvidas são os aviões visualizados na tela, voando em círculos há dias e semanas sem fim. A maioria dos outros aviões já pousaram, mas suas mágoas não-resolvidas continuam a ocupar um precioso espaço aéreo, exaurindo os recursos necessário em caso de emergência... As mágoas são os aviões que não pousarão. Eles enchem por inteiro sua tela, ocupam sua mente e, em especial, dificultam que você aprecie as coisas da sua vida que são maravilhosa”. O mesmo também vale para a raiva e o medo. Estas imagens, muito ricas de imaginação, apontam para perigos a que estamos constantemente expostos, a saber, ter a mente mal ocupada, à mercê de tudo que, desordenadamente lhe passa pela consciência, ou bem assim, pré-ocupada compulsivamente, com uma idéia dominante, que rigorosamente lhe cega e aprisiona. Ambas conjunturas nos roubam as oportunidades de desfrutar daquilo que é o recurso mais precioso e escasso que temos, o tempo de vida. Uma outra característica comum destes estados equivocados de atenção, é sua natureza acelerada, fazendo com que estejamos compulsivamente, crescentemente, ocupados e preocupados. São, por assim dizer, vampiros ocupacionais de nosso tempo de vida.

QUANDO CONTROLAMOS NOSSOS PENSAMENTOS. Um recurso poderoso é fazê-los passar por filtros de pensamentos: “filtro do que é verdadeiro - isso significa que os nossos pensamentos devem corresponder aos fatos. Se houver alguma dúvida sobre a veracidade dos fatos, devemos imediatamente abandonar esse pensamento; filtro do que é respeitável - nem sempre a verdade irá nos inspirar respeito; para ser respeitável, uma verdade precisa estar inserida no território das atitudes e das motivações corretas; filtro do que é justo - contrapõe-se ao pensamento discriminatório, que faz distinção a favor ou contra uma pessoa com base no grupo ou classe à qual ela pertence, em detrimento dos próprios méritos; filtro do que é puro - a vida impura já foi comparada com uma mancha capaz de desfigurar o ser humano tal como uma doença; filtro do que é admirável - os pensamentos admiráveis são aqueles que podem ser escritos na sua testa, sem que você fique constrangido ou envergonhado por todos os estarem lendo; filtro do que é amável - ser amável é ser digno de ser amado; que procura agradar; delicado, atencioso, desejar o bem para os outros”. Outras providências afins: resguardando-nos do lixo mental – a importância de controlar o que entra na mente acentua a oportunidade de ser mais seletivo quanto ao objeto de atenção no momento, o que já reduziria bastante o trabalho de filtrar, com destaque para o poder avassalador da mídia na atualidade; e, o principio da substituição - “substituir formas erradas de pensar por formas corretas. É um processo que se dá de pensamento em pensamento, requerendo atenção e disciplina diárias. Temos de aprender a ouvir os nossos pensamentos e a nos tornarmos bem conscientes deles o tempo todo. Acompanhar bem de perto como se processam esses pensamentos, o que exige disciplina. Pode ser comparado com uma batalha, e quanto mais tempo permito que essa luta com um pensamento errado persista, maior é a probabilidade de acabar tomando a decisão errada.”

Ocupando com sabedoria o tempo de vida: “... tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai”. (Apostolo Paulo).