quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

NÃO EXISTE “DIA COMUM” !


Uma realidade na vida das crianças, parece ser, que “cada instante é um novo momento”, sempre vislumbrando oportunidades para se alegrar, mormente na companhia de outras crianças. Infelizmente, com a idade, e o aumento de conhecimento e da experiência – que não se confunde com aumento  da sabedoria – a verdade pode ser bem outra: “mais um dia, e, tudo continua o mesmo”. Nestas condições seria mesmo inimaginável, e indesejável que isto não tivesse um fim algum dia!...
Numa vida como tal, repetitiva, sem sabor, o que chamamos de rotina, seja de trabalho, seja de vida ociosa, poderíamos encontrar uma evidência de “um dia comum”. Aqui cabe a pergunta: afinal, por que mudaríamos, aparentemente para pior? Talvez pela cosmovisão individualista e materialista da vida, onde o único valor é o lugar comum do interesse objetivante, dito racional.
É aí, neste contexto, que aparecem então os dias comuns, sem brilho, tudo no compasso da rotina. Possivelmente isto explique, também, a identificação dos avós com os netos, com quem relembramos os tempos de criança, sem dias comuns. Na realidade, um dia comum não deveria existir, bastando abrir o olhos e ver que é a miopia de nosso egocentrismo que nos faz  enxergá-lo como tal. E, assim como o avô, que é contagiado pelo dia incomum do neto, o que lhe permite sonhar junto os sonhos de toda criança, assim também seríamos envolvidos pelo dia incomum do próximo, e, que uma vez compartilhado, é uma garantia contra a monotonia da rotina.
Sonho que o poeta aproveitou para fazer uma denúncia grave:
“O sonho de toda criança é ter a certeza
Que o lixo e a rua não é o seu lugar.
O sonho de toda criança é ver uma mão estendida
Dizendo pra casa nós vamos, nós vamos voltar.”
(Trecho da música “O Sonho de Toda Criança, da Comunidade de Nilópolis)
Propiciar um dia incomum para o próximo podemos vislumbrar, na parábola de Jesus sobre “O Semeador”, que teve a seguinte paródia: “Certa criança caminhava pela estrada pedregosa que leva da infância à idade adulta, quando caiu nas mãos de exploradores. Estes tiraram dele a inocência e o induziram ao vício, deixando-o inseguro e insatisfeito. Casualmente, encontrou-o um ministro religioso  que afirmou não ter tempo de conversar, pois seus compromissos na Igreja estavam muito apertados. Igualmente um burocrata do serviço público, que, vendo-o, alegou não poder atendê-lo, pois estava fora do expediente de trabalho. Certo negociante, porém, um estrangeiro, viu-o com olhar inquieto e tristonho. Teve pena da criança e procurou acercar-se dela. Conversou com o menino, deu-lhe uma boa literatura, e, pondo-o no seu carro, convidou-o para ir até um albergue para recuperação de viciados. No dia seguinte, disse ao encarregado: preciso voltar às minhas tarefas; deixo aqui recursos para o custeio desse tratamento, por algum tempo. Peço que o menino seja orientado e cuidado. Voltarei para acertar contas e conversar com ele.”E a pergunta que não quer calar: “Quem dentre todos , te parece que se fez próximo do menino desorientado?. Quem lhe fez vivenciar um dia incomum? (adaptação de Julio Andrade Ferreira, com pequenas modificações).

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

EDIFICADOR DE PONTES


Alguém já disse, que muitas pessoas,  em boa parte do tempo, quando falam, estão apenas jogando palavras ao vento, sem nenhuma conseqüência, falando por falar, mas, na realidade, nada comunicando. Modernamente, com a participação da televisão, podemos acrescentar que estariam, apenas, repetindo chavões da mídia. O poder das palavras é, não obstante, destacado, quando se compara  a língua com um leme, capaz de dirigir um grande transatlântico, ou, com uma tocha de fogo capaz de incendiar uma floresta, assim como o autor bíblico: “... nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo.Vede também as naus que, sendo tão grandes, e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa... Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; ... “.
Aqui chamo de palavras grávidas aquelas que, juntamente com a expressão verbal, carregam subjacentes, pensamentos, sentimentos e emoções intencionadas, as quais, num espectro negativo são capazes de contaminar quem as pronuncia (“o que contamina o homem é o que sai da sua boca”), ou, por outro lado, positivamente, edificar aquele a quem é dirigida. Exemplos da primeira são a calúnia, as agressões verbais, que uma vez vocalizadas, são espalhadas pelo vento da discórdia, tornando praticamente impossível voltar-se atrás; e, da segunda uma palavra de estímulo, o elogio sincero. No dia-a-dia, todos já provamos o veneno de uma crítica injusta, na hora e no lugar errados, e, por outro lado, o bálsamo de uma palavra amiga, na hora e no lugar certos.
A dignidade das palavras é assinalada por Joshua Heschel (um de meus autores preferidos): “As palavras são mais que sinais, mais que combinação de letras. As letras são unidimensionais e só têm uma função: representar os sons. As palavras, pelo contrário, têm plenitude e profundidade, são multidimensionais. É verdade que usamos as palavras para representar as coisas ou como veículos de nosso pensamento e idéias, para nos comunicar com os outros...Distingamos entre substância e função, entre a natureza essencial de uma palavra e sua função, o modo de como nós a usarmos ...”.E destaca o uso das palavras na oração: “o caráter do ato da oração depende da relação recíproca entre a pessoa e a palavra. Não basta, por isso, articular uma palavra. A não ser que uma pessoa entenda que a palavra é mais forte que a vontade, a não ser que saibamos abordar a palavra com toda a alegria, toda a esperança e toda a tristeza que ela possui, dificilmente haverá oração. As palavras não devem cair de nossos lábios como folhas mortas de outono. Elas devem elevar-se como aves do nosso coração para o espaço infinito da eternidade. Quando o coração, cooperando com as forças da fé contra o tumulto e a ansiedade e o barulho exterior, consegue manter viva a tranqüilidade e a solidão interior, sentimos como as palavras podem ser grandes.”
Uma bela comparação para a importância das  palavras, encontro na imagem de um edificador de pontes; pontes pela qual transitamos ao nos comunicar. Por esta ponte das palavras, circulam além de pensamentos, as cargas das emoções e dos desejos associados. Ao compartilhá-la, o sábio pontifica: Tomo alguém pela mão e conduzo até a janela. Abro-a e aponto para fora. Não tenho ensinamento algum, mas conduzo um dialogo” (Martim Buber). Algumas palavras grávidas, depois,  passam a fazer parte do acervo comum da humanidade, tal como no discurso de Luther King: Eu tenho um sonho!”.
Finalmente, gostaria de também ser reconhecido, como prestador de serviço dentre os  edificadores de pontes, da amizade, da paz ( “felizes os pacificadores, porque assim, serão chamados filhos de Deus”).

sábado, 26 de janeiro de 2013

A INSATISFAÇÃO LATENTE E A ALEGRIA DETERMINADA



Passados poucos dias de comemorações do final de ano, oportunidade em que conjugamos em uníssono, votos de muita paz e alegria, dentre outros, e, já começa a desabrochar aqui e ali, raízes de uma insatisfação latente. Descontada a insatisfação com os outros (um risco inerente a qualquer relacionamento humano, mas que pode ser agravada se levado a termos muito pessoais), e, com as circunstâncias, remanescem raízes de uma insatisfação latente para conosco mesmo, que num  extremo, vem associado com uma baixa auto-estima, e pode levar a depressão. A esta se referia Pascal: “Nada é tão insuportável ao homem quanto estar em pleno repouso, sem paixões, sem afazeres, sem divertimentos, sem aplicação. Ele sente, então, o seu nada, o seu abandono, a sua dependência, a sua impotência, o seu vazio. Logo emergirá do fundo de seu ânimo o tédio, a obscuridade, a tristeza, a aflição, o desgosto, o desespero”. A insatisfação latente, até certo ponto é também fonte de criatividade, conforme destacou  na atualidade, o psicólogo e professor, Jesuíta Franco Imoda, que “além da privação de não se ter o que se quer, o indivíduo não apenas não possui aquilo que deseja, como não é aquele que quer ser (relação de tensão entre ser e dever ser, real e ideal, um mundo de aspirações infinitas e um mundo de dados e fatos)...A história humana, individual e coletiva ...  está toda marcada por este atributo de insatisfação que, fazendo experimentar a privação, impulsiona a procura por sempre mais. E faz parte da sabedoria popular a ponderação de que, quanto mais se tem, mais se quer ter, e de que não há limites para o desejo humano. A posse, o sucesso e a realização das mais altas metas humanas não põem fim à busca e à inquietude do coração”. Também C.S.Lewis, relaciona a insatisfação com a busca da verdade: “na religião, da mesma forma como na guerra e tudo o mais, satisfação é uma das coisas impossíveis de se conquistar enquanto procuramos por ela. Mas quando você busca a verdade, é possível que ache satisfação no final. Se você busca a satisfação, não encontrará nem a satisfação nem a verdade – só o que encontrará será um sabão escorregadio e falsas esperanças. Enfim, encontrará apenas desespero”. (de Mero Cristianismo). Santa insatisfação, é aquela que o apostolo Paulo identifica em si mesmo, uma raiz irrigada pelo conflito na alma, entre nossa velha natureza carnal, e a nova natureza redimida, e que ele colocou nos seguintes termos: o que eu faço - o que eu detesto,  o mal que não quero; o que eu não faço - o bem que eu prefiro.
Na contramão da insatisfação tem-se a alegria determinada. É uma santa alegria, aquela que o mesmo apostolo nos exortou: “alegrai-vos”! Até mesmo na adversidade, “tende por bom ânimo o sofrer aflições, pois a aflição produz perseverança....”. Vale ressaltar que ele o faz, em meio às inúmeras perseguições, acusações e prisões, que padeceu, e que assim resumiu: “Dos judeus recebi cinco vezes os quarenta golpes menos um. Fui flagelado três vezes; uma vez fui apedrejado”. Certamente que esta alegria não é uma emoção que devemos buscar, ou uma virtude a ser cultivada, e, não se reduz a um sentimento que vai e vem, de acordo com as circunstâncias. Assim as Escrituras não nos dão ordens quanto ao que devemos sentir. Nem sempre podemos decidir ter essa ou aquela emoção. Alegrar-se é assumir a postura de que vale a pena viver.” Deus não ordena que nos alegremos por todas as situações, mas em todas elas. A Biblia não diz “sinta-se feliz”, mas antes adote uma postura alegre de viver. Em vez de deixarmos nosso humor oscilar de acordo com as circunstâncias, precisamos reconhecer que Deus se acha por cima do que acontece, e está ao nosso lado e cuida de nós em meio a tudo por que passamos”. Em certa ocasião, Paulo afirmou que estava entristecido, mas sempre alegre. Alegria determinada é uma decisão, um testemunho, uma terapia, e um hábito que podemos cultivar”. É com este espírito que podemos celebrar cada amanhecer, repetindo com o salmista:Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele” .

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

“QUEM LÊ MUITO E ANDA MUITO, SABE MUITO E VIVE MUITO”



Antes só do que mal acompanhado”, é o dito popular. Mario Quintana, atualiza, “O livro traz a dupla felicidade de a gente poder estar só, e, ao mesmo tempo bem acompanhado”. Também Imanuel Kant, já antigamente, prescrevia: “uma leitura prazerosa é tão útil a saúde como o exercício do corpo”. E, Miguel de Cervantes, criador de Dom Quixote, o inolvidável cavaleiro, descrito sempre em movimento, enquanto desbrava horizontes, destaca “quem lê muito e anda muito, sabe muito e vive muito”. Como leitor compulsivo, desde a infância, e, mais recentemente um assíduo caminhante, torço para que, possa também desfrutar destes benefícios correlatos.
A importância do exercício é destacada se considerarmos que o corpo humano foi projetado para movimentar-se. Ao caminhar estamos desta forma valorizando o corpo, e, propiciando-lhe oportunidades de exercitar suas  funções,  na falta do que buscamos através de medicamentos, remediar funções danificadas pela falta de exercício. A falta de atenção ao corpo, ou seu mau uso, tem ensejado muitos problemas de saúde, sendo o estresse um dos que estão mais em evidência, na atualidade, e com o registro de que “a maioria de nós viverá tempo o bastante e bem o bastante para adoecer seriamente de uma enfermidade relacionada ao estresse. E, dado que a maioria de nós prefere que isso aconteça antes tarde do que cedo, vale a pena adquirir conhecimento sobre as ligações entre estresse e doença.” (de “O fim do estresse como nós o conhecemos”). Aprendi sobre a perfeição da fantástica fábrica do corpo humano, que devidamente exercitado, produz tudo o que a moderna industria farmacêutica posteriormente, copia e sintetiza, e, na melhor das hipótese reforça e/ou concorre para restabelecer seu equilíbrio original. Se, antes eu caminhava para manter as taxas de saúde no nível recomendado, atualmente, tenho consciência de estar antes, dando a devida atenção ao corpo. Assim também, estou valorizando o tempo, diariamente, dedicado para caminhar, para o que concorrem ainda as belezas dos parques em Curitiba, que são convidativas.
A oportunidade da leitura pode ser avaliada ao considerarmos que ela exercita a imaginação, fonte privilegiada de criatividade. Como subproduto, na companhia de um bom livro, podemos encontrar subsídios para ter um crescimento sustentado, ao assimilar regularmente verdadeiras pílulas de sabedoria, compartilhadas por quem entende, e, que também servem como placas de sinalização indicando-nos o caminho para uma vida mais verdadeira, e mais consciente. Alguém já disse que ler é como “caminhar sobre os ombros de gigantes”, do pensamento, que desta forma deixaram registrados suas melhores intuições da arte de viver Um bom livro é também como uma pérola de muito valor, a ser visto e revisto, com admiração e avidez. O hábito de ler, que obviamente não se limita a um gênero, mais inclui livros de arte, filosofia, ciências, etc., estimula a criatividade, misto da intuição e da razão, e, descrita como “a capacidade humana de escolher algumas dentre as várias possibilidades preexistentes e mesclá-las, criando algo inusitado”.
A concorrência da televisão. Se o hábito de ler, estimula a criatividade, seu concorrente moderno, cada dia mais difundido e absorvente, qual seja o hábito de ver televisão, que, quase dispensa ao telespectador seu concurso, e, quando levado ao extremo, pode mesmo conformar adictos de televisão. Um dos resultados de ver compulsivamente televisão é, que, crescentemente, nos flagramos,  apenas repetindo e retroalimentando-se de manchetes e chavões da mídia, consubstanciando uma mentalidade de rebanho, o meio funcionando como um “ópio das massas”, parodiando um dito famoso; e, como toda droga, vicia. Como agravante ainda, tem-se que “aquilo que ocupa com freqüência nossa mente, termina definindo quem somos”. Aqui cabe o conselho bíblico, “não vos conformeis com este mundo (tomar a forma naquilo que tem de vulgar) mas, antes, transformai-vos pela renovação da vossa mente “. Por oportuno, recebi algum tempo atrás, uma destas postagens, que circulam pela internet, sob o título “O estranho em nossa família” que relata uma parábola moderna, de como um estranho, vem viver dentro de nossas casa, e, que seguidamente se torna o principal narrador, e mesmo, instrutor, sendo a família apenas os reservas, do qual destaco: Mantinha-nos enfeitiçados por horas com aventuras, mistérios e comédias...Fazia-me rir, e me fazia chorar. O estranho nunca parava de falar...Meu pai dirigia nosso lar com certas convicções morais, mas o estranho nunca se sentia obrigado a honrá-las...Passaram-se mais de cinquenta anos desde que o estranho veio para nossa família.Seu nome? Nós o chamamos Televisor.” Também me incluo entre aqueles que estão crescentemente trocando horas de televisão, o que muitas vezes significa de mesmice, por horas de pura criatividade, ao ensejo em que imergimos no mundo da leitura. De quebra, livro-me ainda das propagandas consumistas, massificadoras e repetitivas ad náusea, que embalam programas televisivos.
Ler e caminhar, enfrentam as resistências naturais, consoante a lei maior da entropia crescente, ou, tendência para a mesmice, a inércia, e, popularmente distorcida como a lei do menor esforço, para não dizer da preguiça. Ler e caminhar, entretanto, muito além de opções saudáveis de ocupar o tempo, são necessidades para o desenvolvimento e/ou manutenção de uma “musculatura” saudável da mente e do corpo. Nestes primeiros dias do ano, congratulo-me com os amigos pelo presente comum da vida, que nos permite continuar caminhando e bebendo nas fontes de saber, consubstanciadas nos bons livros. 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

UM PRESENTE DE NATAL PARA JESUS


Os presentes dos Reis magos: ouro, incenso (substância muito odorífera, era fonte de riqueza para os negociantes do passado), e mirra (usado como perfume, para untar, bem como ungüento usado nos sepultamentos) foram os presentes ofertados por estes sábio, por ocasião do nascimento de Jesus. Um conto moderno sobre a visita dos magos narra, imaginariamente, que,os camelos carregavam, soberbos, a carga preciosa de ouro, incenso e mirra, pois eram presentes para um rei. O mais jovem dos três magos fez o cortejo parar, pois acabara de pensar em um presente que seria especialmente próprio, e não queria continuar sem ele. Nervosamente os outros magos ficaram esperando, pois tinham pressa. Até mesmo os guias, sentindo a importância da missão, desejavam continuar. Ficaram esperando por longo tempo pelo mais jovem mago, que não aparecia. A estrela que os guiava ainda brilhava lá no alto, e enquanto as horas da noite se passavam, todos iam perdendo a paciência. Finalmente, quando já estavam a ponto de perder o controle, apareceu o mais jovem dos magos. O que quer que trazia teria de ser pequeno, pois o trazia, facilmente, na palma de uma das mãos. Talvez fosse uma gema raríssima e preciosa, e , se assim fosse, teria valido a pena esperar tanto. O jovem mago ordenou que o guia fizesse o camelo ajoelhar-se para que pudesse pôr o pequeno objeto na sacola que havia nas costas do animal. Os dois magos mais idosos, e até mesmo os guias olhavam com atenção, para ver qual seria o maravilhoso presente que provocara tanto adiamento na viagem para Belém. Lentamente, o mago mais jovem abriu a mão, e ali, para grande surpresa e consternação dos magos de mais idade, apareceu apenas um pequeno cão, com pintas pretas. Era um brinquedo antigo, porque aqui e ali faltavam pedacinhos da pintura. O jovem colocou o brinquedo no chão, o qual deu um salto no ar e caiu novamente sobre os pés. Os magos mais velhos, muito indignados, não puderam mais conter-se e proferiram palavras iradas; mas o mago mais jovem apenas sorriu, pôs novamente o brinquedo no chão e viu-o dar a sua cambalhota. Uma criança pequena, que estava por perto, riu-se gostosamente, quando o cãozinho de brinquedo foi posto no chão, deu um salto no ar e caiu, novamente, sobre os quatro pés. O mais idoso dos magos perguntou: “Foi esse brinquedo, sem valor, que o fez adiar a marcha deste cortejo de camelos, que leva presente para o Rei dos reis?” O mais jovem dos magos retrucou: “Nossos camelos estão carregados de presentes apropriados para o rei – muito ouro, incenso e mirra. Estou levando este cãozinho de brinquedo para o menininho de Belém”. (de uma história norte-americana de Natal).
Este conto de Natal, põe em relevo, aquilo que deveria ser o mais importante para comemorar, a saber, o aniversário desta criança maravilhosa, que há cerca de 2.000 anos, nos foi dada, e que viveu entre nós; nasceu, e cresceu, totalmente homem, embora, fosse, igualmente, totalmente Deus, um mistério que os incrédulos e céticos, rejeitam, talvez, por ser bom demais para se acreditar.
Hoje, que presente poderiamos lhe dar para comemorar Sua vida preciosa? Podemos encontrar, nas palavras do próprio Jesus, uma indicação do presente que lhe alegraria o coração; assim, Jesus diz que devemos acolher as crianças em nome dele, como se fossem ele mesmo. E, aqui desejamos relembrar como Jesus condescendia com as crianças, num mundo, que, naquela época, as tinha em pouca conta, relegando-as a segundo plano, considerando-as, mesmo um estorvo, e, como tal, eram afastadas, ficando sob a supervisão de escravos. Até mesmo os discípulos demonstraram seus preconceitos quando as repreenderam por estarem perturbando o ensino que Jesus lhes ministrava. Foi então que Jesus os confrontou, e, muito pelo contrário, chamou as crianças para perto dEle, e, até mesmo admoestou seus seguidores, sobre a importância de imitar-lhes a beleza da inocência e da espontaneidade, tão própria das crianças. Ele foi, assim, pioneiro na atenção às crianças. Hoje os tempos são outros, e, as crianças, já são mais consideradas e amadas; remanesce a situação daquelas, vítimas das circunstâncias adversas, que, padecem as conseqüências graves de lares desfeitos, ao ensejo, em que ficam privadas do aconchego de uma família, da carência de amor e proteção dos pais. Como as crianças dos Lares especiais, onde por força da Justiça, são acolhidos aqueles pequeninos indefesos. Neste sentido, temos a alegria de participar de uma Igreja, que desenvolve trabalhos assistenciais, dedicados para crianças nestas condições de carência. Assim, e de forma ainda incipiente, ao longo deste ano, este tempo que dedicamos, juntamente com outros irmãos, ao serviço de reforço escolar, ainda que de um pequeno número destes pequeninos, constitui-se, assim cremos, no melhor presente que encontramos para dar a Jesus, por este seu aniversário, na esperança de poder fazer mais e melhor no Ano que vem.
FELIZ NATAL JESUS ! 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

CONFORMADOS PELA ETERNIDADE


No dicionário encontramos “eternidade como um conceito filosófico que se refere no sentido comum ao tempo infinito; ou ainda algo que não pode ser medido pelo tempo, porquanto transcende o tempo”. Podemos, apenas, vislumbrar a dimensão da eternidade, ao considerarmos nosso lugar no Universo, que segundo estimativas da Ciência, teve início no Big-Bang, ocorrido há cerca de 15 bilhões de anos atrás, e bem assim com a formação do sistema solar e da Terra há 5-6 bilhões de anos. Outra marca da eternidade podemos inferir da vastidão do espaço onde se abrigam bilhões e bilhões de Galáxias se aproximando e, na maior parte se afastando uma das outras, cada Galaxia contendo bilhões e bilhões de estrelas. Certamente que o tamanho não é um parâmetro adequado para se aferir a importância da vida humana.
O autor cristão de “Movido pela Eternidade” ressalta o registro na Biblia, de que, Deus “ pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim” (Eclesiastes  3.11). A eternidade foi plantada em nossos corações, muito embora seja impossível compreendê-la com nosso intelecto! A eternidade dura para sempre; ela não tem fim. Entretanto, não se trata simplesmente de um tempo que jamais acaba. Falar de eternidade em termos de durabilidade perpétua é perder a idéia geral. A verdade é que a eternidade não pode ser compreendida mentalmente. Nossas mentes são finitas e estão proibidas de captar conceitos relativos ao que é perpétuo ou eterno. O que na verdade é declarado como inatingível pela nossa mente natural foi colocado em nosso coração pelo Criador. Nosso coração reconhece a eternidade. Ela nasceu em cada ser humano."
Uma curiosa abordagem que dá uma idéia de continuidade e progresso, e de como estamos, ainda, apenas nos primeiros estágios de desenvolvimento na  conformação da eternidade, é ilustrada pela linha do tempo da Criação, onde se mostra num calendário, os 15 bilhões de anos correspondendo a um ano de 365 dias. Neste calendário, em que o Big-Bang teria ocorrido em 1 de janeiro, o Sistema Solar teria sido formado em 9 de setembro, e apenas em 14 de setembro a formação da Terra. Somente no mês de dezembro ter-se-ia então os seguintes eventos:  dia 1 - atmosfera de Oxigênio começa a desenvolver-se na Terra; dia 19 - primeiros peixes e vertebrados; dia 23 - primeiras arvores e répteis; dia 24 -primeiros dinossauros; dia 27 -  primeiras aves; dia 28 -primeiras flores; extinção dos dinossauros. E, somente ao longo do dia 31 de dezembro, corresponderiam os seguintes eventos: 23:56’ - o inicio do período glacial; 23:59’:20’’ - invenção da agricultura; 23:59’:35’’ - primeiras cidades (6.250 a 5.400 AC) ; 23:59’:35’’ - primeiras dinastias no Egito (3.100 AC); 23:59’:51’’ - primeira escrita; 23:59’:56’’ - nascimento de Cristo; 23:59’:56’’ (ano zero). (Cosmologia e Criação, de Paul Brockelman)
Vida eterna. A forma como incorporamos a eternidade é descrita em termos de revelação bíblica:Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Esta a mensagem central do evangelho, que significa essencialmente boas notícias. Este menino que é Deus, é também chamado de “Pai da Eternidade”, e como tal, também nos dá a vida eterna. Muito além de infinita, uma marca desta vida eterna é o desenvolvimento continuado. “Parece que o alvo mesmo de toda a existência é uma participação, crescentemente maior, na vastidão da vida e da grandeza daquele ser que denominamos pelo nome de Deus, e assim ficamos continuamente mais saturados e envolvidos pela vida divina. Nisso consiste a vida eterna. Essa vida eterna é “minha vida”, porquanto a nós foi prometida a continuação da identidade pessoal, e não alguma substância etérea, absorvida por alguma mente universal, ou então que venha a se tornar parte do intelecto supremo e puro, segundo pensava Aristoteles. É uma forma de vida, e não visa meramente a sua duração. É a transformação segundo a imagem e o modelo de Cristo; é presente, no sentido que os homens agora são imortais (possuem almas imortais); essa vida pode influenciar agora as nossas vidas, para que percebamos quão nobre pode ser uma vida humana. Está vinculada com idéias sobre a ressurreição e a imortalidade, o que nos assegura de uma identidade pessoal contínua. É a vida essencial, a vida independente, a vida necessária semelhante à vida de Deus.”
Finalmente, a eternidade, como benção, alimenta a esperança de uma vida abundante, que continua no porvir, e bem assim, conforma a saudade daqueles entes queridos que já não estão entre nós. Neste sentido, guardo na memória, o registro tocante de um avô sobre a partida de seu neto, com apenas alguns dias de vida:       “... Driblou a Morte, reduzindo-a a condição humilhante de mero degrau, sobre o qual se apoiou e saltou alto alcançando o céu, ajudado por uma mão forte e amorosa, que do alto lhe foi estendida,  a mão de Deus. Deixando a morte para trás, na terra e no passado, trocou o temporal pelo eterno, a incubadora pelo infinito, poucas gramas  de quase nenhum músculo por um corpo glorioso igual ao de Cristo ressuscitado a lhe ser entregue na ressurreição. Até lá, conhecerá as maravilhas de Deus, sendo a maior delas o próprio Deus, a quem aprenderá a chamar de Pai. Aprenderá a história de Jesus ouvindo-a do próprio Jesus. Brincará nos jardins celestiais e explorará cada canto e recanto do paraíso, habilitando-se como cicerone do céu para aguardar a nossa chegada...com saudades....”

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

ARIDEZ DA ALMA



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Buscamos uma vida prazerosa mas experimentamos, pelo caminho, sensações como de aridez, como num deserto, para a alma. É quando nossos melhores propósitos parecem inúteis, os relacionamentos parecem perder qualquer encanto, e, o tempo parece se arrastar. Esta experiência é bem conhecida por alguns, que noutras circunstâncias são de espírito alegre e ativo. É como se tivessem gasto todo o combustível capaz de despertar algum entusiasmo. É quando o outro é visto como competidor, quando não adversário, ou, no mínimo, um estranho, remanescendo em qualquer caso, a sensação de carência de afinidade. Foi aqui que se cunhou o termo “queimado” a fim de descrever-se a condição da pessoa que se tornou mental e emocionalmente exaurida na luta pelo sucesso em sua profissão. Quando relacionados com a vida religiosa, estes momentos são conhecidos como esgotamento espiritual.
A experiência é também avaliada por alguns, como o caminho para passar da superfície de uma vida no nível dos sentidos para uma vida  de maior  profundidade. Neste contexto os sentidos são as nossas janelas, onde temos a visão sobre o mundo: pessoas, coisas, situações. Muitos passam a vida olhando pelas janelas: estamos tão voltados para fora que freqüentemente estamos sem contato com a dimensão mais profunda, espiritual do nosso ser. Exatamente a passagem da superfície de uma vida no nível dos sentidos, para uma vida  em maior profundidade, pode ser o fato gerador destes estados de desconforto. O termo “Noite Escura (da alma)” é originalmente usado no cristianismo para referir-se à crise espiritual na jornada rumo à união com Deus, como a que é descrita pelo místico cristão São João da Cruz. O ponto de partida é marcado pelo desejo das coisas deste mundo, a que a alma deve renunciar. A renuncia a coloca numa escuridão espessa, e é por isso que lhe é dado o nome de noite. Por meio da noite dos sentidos Deus obscurece a parte exterior, e a vida que aí se desenvolvia. Agora já não há mais interesse em olhar pelas janelas. O que antes dava alegria agora produz sensação de vazio. Tem-se a impressão de que se perdeu tempo, de que se perdeu o essencial. Qualquer reflexão não levará a nada. Mesmo fazendo todo esforço, sente-se apenas aridez. Ocorre que, enquanto, no nível dos sentidos tudo vai bem, não existe uma procura mais profunda, e você se acomoda. Você pode ganhar muito tempo, se compreender que a aridez não é mais sinal, e sim convite para transpor os limiares do campo dos sentimentos em direção a uma vida de maior profundidade.
E, finalmente, chegam os tempos de refrigério. Em meio à crise, súbito, e de maneira singular, flui uma corrente de ocorrências favoráveis, ensejando regozijo para a alma. Súbito identificamos respostas personalizadas que só nós discernimos como tal, ensejando inclusive solução para eventuais conflitos relacionados. Contrapondo-se ao deserto temos agora a imagem das fontes de águas cristalinas, que dessedentam e que são um refrigério para a alma esgotada.
Restaura, Senhor, a nossa sorte, como as torrentes no Neguebe” foi a súplica do rei Davi, enquanto passava por uma destas experiências opressoras. O Neguebe não é um rio, mas a denominação de uma região desértica que fica no Sul da Palestina, uma grande extensão de terra improdutiva, na maior parte do ano. Durante a estação das chuvas ocorria algo muito especial com o Neguebe. Com estas chuvas caindo na Palestina, as águas, gradativamente, vinham escorrendo pelos montes até atingirem o deserto do Neguebe que ficava na região mais baixa. As águas abundantes formavam então vários riachos que regavam o deserto, e, em poucos dias, o lugar que antes era tão feio, solitário e sem vida, ganhava outro aspecto. Quando o rio desaparece pela evaporação, o deserto se transforma em um manancial com as mais belas flores e um verde onde somente no Neguebe se pode encontrar .  Os campos tornavam-se lindos, úmidos e floridos, coberto pelo verde da vegetação que ali era desenvolvida. A vida do lugar era restaurada. Os animais retornavam e a paisagem do ambiente tornava-se linda. A oração de Davi, pedindo ao Senhor para restaurar a sua sorte como as torrentes no Neguebe, acontece provavelmente em um momento em que ele se julga queimado, mas ele sabia que, tal como o Neguebe, restaurado pelas águas da Palestina, a sua sorte também seria restaurada pelo Senhor.
(adaptado de portais cristãos).